sexta-feira, 30 de abril de 2010

Ela/Ele - Sandy




Independente de curtir ou não esse estilo musical, vale a pena ler a letra dessa música. Eu a conheci, ouvindo agora há pouco no site da rádio UOL. E gostei da melodia também.



Ela via o mundo
Ele via o mundo

Viam sob a mesma luz
Isso é tudo
E era tudo
Que havia
Entre os dois em comum

Se conheceram
No inverno de 2002
No vento um prelúdio
Do que viria depois

O frio desculpa se fez
Pra ele estender seu casaco
Nos ombros dela

O inverno então se desfez
Quando ela em troca
Lhe deu com o olhar um abraço

Ele era um aspirante a poeta
Ela era inspiração
E pra ele qualquer coisa nela
Despertava uma canção
Ela que sempre buscava
Em tudo um porque
Com ele bastava
Estar, sentir e viver

O tempo voava pros dois
E nem todo o tempo do mundo
Seria o bastante

Os dias
Vividos a dois
Provavam que a eternidade
É só um instante

Ela já quis ser de tudo
E até sonhou
Em ser piloto de avião
Finalmente alcançou o céu
No instante em que ele lhe pediu a mão

Três letras
Ela respondeu
E a mais linda música
Se transformou sua voz

Enfim não haveria mais
Qualquer cabimento de vida
Vivido a sós.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Foto Mensagem


Quando olho para essa foto eu penso:

A liberdade do seu olhar, limpa o coração
Sua fragilidade imobiliza as durezas
Sua confiança é verdadeira
É dependente sempre

Ensina a amar
Necessitando do nosso amor
Não existe hora nem momento
Sorrir e nos faz sorrir

Requer cuidados
Exige atenção
Anseia diversas vezes
Por carinho e afago

Não se importam com a estética
Não enxergam nossas falhas
Exigem sempre
O nosso ser verdadeiro

São livres na consciência
Dependentes na existência
Verdadeiros no agir

São felizes com coisas simples
Não ligam para as crises



Existem lições valiosas quando se observa uma criança, podemos
aprender muito sobre relacionamentos quando olhamos para as
atitudes sinceras e de dependência de um pequenino.

As palavras que não consegui te dizer...

post-it-note


Quando eu disser: Te amo... Pode ter certeza que ele não virá seguido somente por olhos lânguidos e uma cor encarnada em meu rosto.
O meu “Te amo” será acompanhado também de um coração e um corpo que pulsam e te desejam intensamente... Um deseja tua alma e o outro te quer fisicamente.
Minha boca não servirá somente para pronunciar essa declaração. Ela irá querer insistentemente a tua.
Eu não consigo ter somente o meu primeiro e último pensamento voltado a ti... pois todos eles vão ao teu encontro... todos.
Obviamente que até toparia ouvir músicas de mulherzinha com você... Sabe, nem ligo. Mas ao seu lado, seria muito mais prazeroso ouvir Guns, Kansas, Janis Joplin, Led Zeppelin, Queem, Black Sabbath...
Dormir de conchinha não me incomodaria tanto e muito menos me causaria um calor irritante. Não... desde que eu estivesse com você em minha cama.
Jamais deixaria bilhetes com frases floreadas e um “AMO VOCÊ” no final... Meu post it conteria apenas um: “U’re so fucking special” com pingos do café em que eu beberia enquanto rabiscaria essas palavras.
Eu acordo com 70% do meu bom humor, você completaria os 30% para minha total felicidade. Eu não precisaria mais sacanear ninguém para me sentir completa ou satisfeita durante o dia.
O meu aniversário já teria mais graça se você aparecesse... e eu não precisaria ficar resmungando para meio twitter que detesto essa data tão fodida de minha vida. Sério. Você tornaria tudo mais simples e melhor.
Talvez minha TPM não exerceria tanto poder em minha vida se estivéssemos juntos...talvez. De certeza, os sintomas poderiam até diminuir...mas só um pouquinho.
O amor tem dessas coisas, né? Em outros tempos...esperar é uma tarefa impossível. Mas olha, eu estou aqui, com a paciência que nunca tive, te esperando. Acho que você pode considerar essa declaração patética... mas é o que sinto.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Fotolegenda: Pôr-do-Sol*

O dia turbulento passou
Mas deixou seu pedaço de beleza
As dificuldades permanecem
Mas ao contemplar-te
Tenho a luz para um caminho seguro
.
* Imagem cedida pela fotógrafa Bruna Mello

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Românticos - Vander Lee

domingo, 25 de abril de 2010

Cumplicidade



Não eram do tipo de casal que chamasse a atenção. Nem tinham tal pretensão. Viviam “na deles”. Tinham um sorriso no rosto, não de euforia, mas de tranqüilidade. Não se via demonstrações efusivas de afeto, apenas um caminhar de mãos dadas, um afago nos cabelos, um modesto selinho. Os amigos até apostavam no término do namoro. Não há paixão – diziam eles – não há rompantes, não brigam, logo concluíam: não há amor. Os namorados chegaram a saber desses rumores a respeito do seu relacionamento. Ele achou engraçado os outros estarem discutindo sua vida amorosa. Ela não se agradou muito da idéia. Será que falta de brigas significava falta de amor? Não que ela duvidasse do amor que sentiam, pelo menos não até aquele momento.

Tudo isso eles conversaram. E, enquanto os outros estavam certos de que era o fim, eles chegavam à conclusão que era um grande baboseira essa história de brigas ser termômetro para o amor. Não é que indiferença seja sinônimo de romantismo. Isso não. Só que eles nunca eram indiferentes um ao outro. Pelo contrário, era aquele sorriso tranqüilo que carregavam a prova maior da cumplicidade entre eles. O tempo que gastavam juntos, conversando horas, ou simplesmente calados, olhando o dia passar... o entrelaçar dos dedos no dar as mãos...

E para os que diziam que não havia paixão... é porque nunca prestaram atenção no jeito como eles se olhavam! Porque eles realmente se olhavam! E, o que é melhor: se enxergavam.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Palavras nascem do que se encontra cheio o coração

Expressões são reflexos do que somos realmente por dentro

Quer ver a verdadeira beleza de alguém?

Olhe suas atitudes.


Porque é justamente nesse momento, que a pessoa não é uma posição social, não é um cargo, não é uma nomenclatura, não é a beleza que carrega, não é a bela roupa que veste ou carro que usa, ela é simplesmente aquilo que seu coração é repleto. Ela é a expressão do que sempre foi por dentro.


Por isso, a convivência é a melhor maneira de se conhecer alguém, porque justamente no viver, no permanecer perto, que a pessoa deixa cair à máscara da hipocrisia. É na caminhada que se conhece o caminho percorrido, as ruas que vão para o inferno, são asfaltadas de boas intenções, mas as veredas que seguem aos nossos corações são tomadas por atitudes de amor.


Com amor, não há hipocrisia!


Pare de se enganar com pessoas superficiais, coisas superficiais, pois se é disso que você gosta, então é disso que você está repleto. Quer achar a pessoa certa para todas as horas? Então seja primeiramente essa pessoa. Não se pode exigir de alguém, o que você não pode oferecer para a mesma.


Tirando tudo que você é socialmente; formação, status, cargo, emprego, bens. Quem você é? Quais seus sonhos? Não falo de um bom salário, mas, qual seu sonho como ser vivo, que ama, que chora, que sente dor, qual ideal de vida você tem?


Meus sonhos não são muitos para o que é exigido no mundo que temos hoje, almejo cuidar dos meus pais na sua velhice, casar com uma garota com os mesmos princípios que tenho e ter filhos. Só de pensar que posso cuidar e ensinar um pequenino ser, me enche de alegria. Quem já é pai ou mãe sabe melhor do que estou falando.


Palavras nascem do que se encontra cheio o coração, cedo ou tarde a verdade aparece, uma pequena dica queridas leitoras, quer saber se seu namorado vai ser um bom esposo? Da uma olhadinha como ele trata a mãe dele.


Quer conhecer a verdadeira beleza de alguém? Conheça suas responsabilidades como um agente familiar, lá ele não esconde quem é. Tenho amigos que fingem não se importar, mas estão sempre ao lado da pessoa amada, mesmo sabendo que essa pessoa agiu errada, ou simplesmente não se cuida. Assim como existem outros, que carregam um sorriso calmo e uma aparência respeitável, mas nunca abriu o bolso para comprar um remédio para um parente ou mesmo os pais.


Expressões são reflexos do que somos realmente por dentro.


Passei muito tempo da minha vida me enganando com coisas e pessoas supérfluas, hoje, meus investimentos estão nas pessoas que eu amo, porque sem elas, eu seria apenas o cara legal na mesa do barzinho, nas rodas de conversa, no dia a dia de trabalho e posteriormente aquele cara que deita a cabeça no travesseiro e chora por ser um completo vazio.


Reflexão tirada do livro: Lucas 12

Escutava: Fake Plastic Trees - Radiohead (música e escrita, eternas amantes)

Alimento: Nescau com leite.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Tempo errado

Aconteceu hoje de novo, sabe? Aconteceu de novo. Eu fico tão mal quando acontece, tão mal, mas isso sempre se repete. Todo dia alguém me vê e pergunta por você. E eu não me chateio por perguntarem, as pessoas não têm culpa de não saber. O que me enerva é que perguntam por você e eu respondo que não sei e daí eles encaixotam a discrição e o bom-senso e sempre perguntam com um ar fingidamente chocado se a gente terminou e eu respondo com o silêncio, talvez um aceno breve de cabeça, mas sempre em silêncio. E então eles começam a discursar sobre como éramos um casal bonito e feliz e, poxa, que pena que não estamos mais juntos, mas desejam que eu fique bem, essas coisas passam e logo eu vou encontrar outra pessoa - às vezes soa como "vá em frente, amigo, não morra, você consegue viver sem ela", como se eu estivesse morrendo de uma doença galopante por você ter me deixado. Outra coisa que me chateia é que quando eles perguntam por você imediatamente me pergunto por você também, porque assim como eles eu não faço a mais pálida idéia de por onde você anda. Ah, não, não me chateia não saber de você, me dá raiva por querer saber. Porque antes eu ainda tinha aquela coisa boba e dolorida de guardar os momentos bons, sabe? Antes ainda tinha aquela coisa de lembrar do dia ensolarado no parque ou qualquer coisa que eu tivesse como feliz na nossa história. E depois veio o tempo da amargura, o tempo de lembrar de todas as infelicidades e mágoas e dores pra ver se eu te esquecia. Depois veio o tempo mais feliz, pelo menos pra mim, que era lembrar de ti apenas como um ponto de referência, sabe como? Quando eu te inseria em uma lembrança minha era mais pra me situar no tempo e no espaço, algo como "choveu naquela noite", dizer "eu estava com ela" era o mesmo que dizer "foi um dia de calor absurdo". E agora eu acumulo todas as lembranças, boas e ruins, consigo me lembrar de cada gosto, de cada gesto, e agora sim eu pareço estar morrendo de uma doença galopante, porque antes não tinha isso de me perguntarem por você todos os dias. Engraçado, sabe do que me lembrei agora? Me lembrei que isso também me chateava no início de tudo, quando ainda estávamos "nos conhecendo e ficando ocasionalmente", passamos bem uns seis meses nessa, e as pessoas sempre me perguntavam por você e o que me dava raiva era porque de fato eu não sabia, você tinha a sua vida que não fazia parte da minha e era tão sua que eu não conseguia sequer imaginar o que você fazia quando estava longe de mim, porque estávamos apenas "nos conhecendo e ficando ocasionalmente" e eu não podia ligar só pra saber que diabos você andava fazendo. E muito embora eu soubesse que você tinha suas ocupações e não podia girar na minha órbita 24 horas por dia, meu coração apaixonado se enchia de delírios conspiratórios e sua ausência doía todas as noites, porque eu me sabia sozinho todas as noites mas não te sabia sozinha fumando um cigarro e pensando em mim antes de dormir. E aí se eu encontrava alguém a primeira pergunta era sempre por você, e eu recalcado respondia "como é que eu vou saber?", ao que ouvia sempre uma piadinha na volta, algo como "é, se você não sabe, quem vai saber?". E foi assim até assumirmos o namoro, e incrivelmente as pessoas pararam de perguntar por você, justo na época que eu queria que perguntassem, porque aí eu saberia responder. Estão no tempo errado, todos eles. Dá vontade de tatuar na testa a frase "NAO SEI DELA", pior é quando vão ao meu/que era nosso apartamento, "ah, ela não mora mais aqui", "por isso está essa zona" e por aí vai, e cada pergunta me traz uma lembrança nova, ainda mais corrosiva que a anterior, só fazendo aumentar a angústia e o tamanho da ausência. Quer saber? Da próxima vez que me perguntarem por ti, vou dizer que você morreu. De uma doença galopante qualquer. "Morreu, não é uma pena?".

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Comunismo virtual

As facilidades que a internet nos proporciona são inquestionáveis, vai desde a economia no telefone ao não enfrentamento de fila pra pagamento de contas. Entretanto, como tudo na vida, há que se estipular limite. Comprar flores on-line?


E quem paga a conversa com o floricultor? E quem paga o encontro casual com a tia distante que dispara: “está apaixonado, hein?” Quem entrega o bilhete escrito à mão?
Pobre dos moços que encomendam flores on-line. Demonstram descaradamente, via IP, o desconhecimento de um significado. Não sabem que esse gesto, por mais que pareça ingênuo, pode revolucionar uma vida.


Muitas flores já foram escudos para as vassouradas da mulher irada, já funcionaram como a cigana para reatar o relacionamento impossível, elas já foram capazes de transmitir o mais incompreensível sentimento. Acha mesmo que é mera coincidência no casamento, a cena da noiva carregando um buquê de Flores? Não é, acredite.


Sejamos os neo-comunistas do mundo virtual, digamos não às resoluções fáceis das compras de flores on-line. Que esses “web vendedores” mudem para o ramo dos chaveirinhos e camisas de time ou até DVD, deixemos claro para eles que há um processo nessa venda que não está ao alcance de um clique.


Portanto, pobre rapaz que encomenda flores on-line, não subestime o poder das flores, não tripudie sobre esse aviso que a vida sempre deu e você não notou, sob pena de, no máximo, conseguir um sentimento bem criptografado.

sábado, 17 de abril de 2010

Chuva

dezembro/05
E na chuva que cai
Devagar
Como as lágrimas
Que já derrubei
Há poemas de amor
De um rei
Um senhor
Cada gota
Uma rima
De um homem enganado
Há loucura de amor
No sereno que cai
No telhado
Há desejos e sons
De sonhos tão bons
Para serem realidade
Há verdade na chuva
Que cai
De saudade.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Dicionário da mulher – Verbete: Banho

Generosos leitores que fazem este contador de causos de araque se sentir um pouco mais inchado de alegria ao ler seus comentários, peço-vos que preparem o indicador e o telefone para a qualquer instante acionar a ambulância do SAMU! Em razão de um pedido cariñoso da querida Álefe, endossado pela amiga Fabiana, regresso para falar de um momento fueda-celestial: o banho de uma mujer.

Quando vejo aqueles minúsculos e poderosos riachos formados nas curvas de uma silhueta feminina, a descarga de adrenalina é tamanha que se faz suficiente para evitar qualquer entupimento das artérias do corazón. É a ponte de safena da luxúria. O corpo da mulher tem formas arqueadas arrebatadoras, onde até mesmo a água, astuta que só ela, quando se choca o faz com leveza.

Eis que o sabonete, líquido ou sólido (dependendo do grau de quentura da senhora), faz questão de participar da ópera. É um processo delicado. Ela passa o xampu. Faceira, não se tem por satisfeita e aplica o creme condicionador. Em seguida vem o hidratante, o desodorante, a maquiagem, o não sei o que mais de coisas...

Em tempos high tech, precisamos reconhecer que uma mujer se esbaldando dentro de uma banheira com espuma é a realidade aumentada nascida antes de Cristo. Ali, naquela colossal tigela, não tem pra ninguém. É o seu território natural. De acordo com o velho Póti, ancião canalha, não se tem conhecimento do sujeito que resistiu ao poderia bélico sedutor da junção donzela & banheira de espumas.

É normal acusarmos os publicitários de nos ludibriar com enfeites com intenção da venda. No caso do banho feminino, o delito é por plágio, sem tirar nem pôr. Os homens que já presenciaram um fenômeno destes sabem, não é exagero o que se passam nas telinhas e anúncios de revistas.

Comparsas, uma mulher no banho é uma provocadora inveterada de taquicardias. E para completar o espetáculo, elas cantam. Não pensem que é em vão, coincidência ou acaso que as sereias, descritas nas histórias marítimas, seduziam os carentes marinheiros através do seu canto. É matemática simples, cabeçudo: mulher mais água é igual ao nuestro delírio. É cúmulo da soberba, além de encantar elas são musicais. Diante disso, declaro: só nos resta levantar a bandeira branca da rendição.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Gostar


Estou vivendo em uma ilha deserta e a solidão deste local tem despertado alguns sentimentos. Aqui as horas parecem dias, os dias correm como semanas e as semanas nivelam-se há anos. Quando cheguei aqui, fui percebendo aos poucos algumas coisas, uma delas é a grande espera pelo fim de semana.


Falo fim de semana, porque, ao longo dos meses, todo sábado tenho a oportunidade, mesmo que durante alguns poucos minutos, de desfrutar a passagem daquela linda embarcação. Mesmo isolado nessa ilha, sabendo que as chances são poucas de ser avistado, me regozijo ali de longe, contemplando a sua passagem rente ao horizonte, para enfim, seguir sua rota habitual.


É incrível como alguns minutos são únicos, nesses momentos cada milésimo de segundo é importante, porém degustar a estuação de saber que estão passando, e que logo vão acabar é decepcionante. Mas até isso acontecer, provo a sensação de vê-la, ali, única, pequena porque está longe, mas grande no melhorar do meu dia.


Foi-se ela, agora mais uma semana, onde as horas parecem dias, os dias correm como semanas e as semanas nivelam-se há anos.


Vejo-me construído uma pequena canoa, estudando o temperamento do mar, para quem sabe enfrentar os meus próprios medos e ir ao encontro, numa próxima chance, de alcançar aquela bela e encantadora embarcação.


Quem sabe um dia, depois de lutar contra as adversidades, contra a corrente que me joga sempre na direção contrária, ter a oportunidade de ser salvo, de ser visto, de ser especial para alguém em meio a tanta coisa.


Gostar solitário é como tentar falar com as mãos presas, no início você até consegue, mas depois vai batendo uma aflição e você acaba percebendo que gesto e fala, caminham juntos.

Manicomial*

Não esperava dormir sozinho hoje à noite, na minha última noite... Não esperava chegar ao fim do meu dia estraçalhado, derrotado... Não esperava jamais que você me machucasse, jamais! Não contava que as minhas forças agora são suas e só suas. Eu perdi o controle sobre o todo, perdi completamente as rédeas desta história que eu espero que tenha um final feliz, juro que espero!

Estou nu em pêlos, com a alma despida e a cara preparada para levar os tapas, para sucumbir as sua taras, mas você não... Será que algum dia você esteve? Será que toda essa incerteza é só mais uma viagem dessa minha histeria descontrolada? Talvez, apenas talvez, eu possa estar inebriado pela sua companhia. Talvez, mas apenas talvez, eu já tenha entregado mais do que eu esperava e talvez, quase que certeza, você já levou meu coração com o melhor de mim e eu estava dormindo... Nem percebi...

Eu estava dormindo, você estava acordado, eu estava sonhando, você esteve acordado. Eu não era mais eu, você... Ah, você... Era apenas a sombra do que eu pensei que fosse. Você era mais um dos personagens voltando para a minha vida... para me surpreender e me capturar. Ah, como eu senti sua falta, sabia? Eu não sabia!

Não queria, não podia, eu não sentia mais nada, não sabia que ainda sabia sentir e me desvirtuar daqueles caminhos tão certos... Agora tão tortuosos, que me fazem sentir tão embaraçado e cheio de sentimentos incoerentes, sentindo o oposto daquilo que eu temia e afastava pra longe... Eu não, não queria!

Prostitui-me diversas vezes prostrado no absurdo, por tão pouco não me reconhecia... Eu acordava molhado de suor e gozo pelo corpo e vestes e chegava em casa na velocidade de uma bala... Escovava os dentes, tomava banho, pingava colírio e fingia ser uma pessoa melhor. Eu pendia para o pior, você sempre soube. Você não fez nada!

Eu lhe pedi várias vezes, deixei pistas no seu armário, nas suas calças e em toda a sua demência. Você sempre adormecia, sempre me amarrava para me comer com unhas e dentes na manhã seguinte. Eu já não gritava, não expressava, não ansiava mais por nada... Ora, eu havia me acostumado a ser o seu brinquedinho vulgar... Mesmo sem saber se estava correspondendo as suas expectativas, eu gostava de pensar que sim, que sim pelo menos uma vez. Pensar positivamente como se isso fosse afastar todos os problemas e me levar para um lugar comum.

Eu repeti, eu escandalizei, eu lhe implorei que não fosse. Implorei para que ficasse comigo, para que fôssemos nós e não apenas você ou eles... Vendi-me por um pouco de adrenalina e sentei para ver, paguei por ser assim. Por não ter um preço fixo e por procurar sempre quem podia pagar mais... Por quem podia ser mais útil para ocupar os meus espaços vazios e assim, quem sabe, dormir um sono tranqüilo ao invés de ficar acordado.

Você sabe que está com o poder nas mãos... Faz eu me sentir mais desesperado. Faz com que eu roa as unhas e o sangue sem pestanejar... Invade meus sonhos, escarra no meu sexo para depois me tomar como seu... Novamente seu, você sabe, apenas seu. Você gosta! Eu gosto, quem não gosta? Quem não sente? Eu sinto, eu embarco, eu escarneço mas olhando sempre para os lados com um fio de medo. Eu não sei mais o que faço, só sei que você me hipnotiza e as suas mãos encaixam no molde exato das minhas. Nessa hora eu esqueço todo o emaranhado, toda a parte difícil e volto abanando meu rabo para você. Você sabe e você gosta! Quem não gosta? Quem não sente?

* Texto do jornalista e cantor André Lima.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Em vão

Não há palavras.
Já as procurei
em cada canto do quarto.
Não há nenhuma
que possa definir o que sinto.
E isso não é novidade.
Elas nunca existiram,
só agora eu percebi.
Sempre foram apenas
ilusões auditivas...
Sonhei ouvi-las de ti.
Mas era sonho
E quando acordei
Procurei, fui atrás...
Não estavam aqui
Não estavas mais
Aqui.
Thais Carvalho

quarta-feira, 7 de abril de 2010

the last romantic guy, charlie brown



mya




Meu pé de meia

A solidão é sombra de lampião
Danada como batida de baião
Quando anoiteia formiga no coração
Cantiga de grilo é a solidão

Tu és canjerê do meu coração
Capilê das horas incertas
Caça de carne sem tempero
Arenga com meus sentimentos

Zunido de cigarra
Na friagem logo ataca
Carapanã pé de orelha
Deixa solidão eu achar
Meu pé de meia

segunda-feira, 5 de abril de 2010

A Maldição dos Vieiras

Quem conheceu o seu Vieira, não apenas conheceu um grande romântico, mas aquele da pior laia. Dos irrecuperáveis, incuráveis e indomáveis. Teve diversas amantes, namoradas, esposas e flertes. Com seus olhos verdes, não tinha mulher daquela época que resistisse. Era comum ouvi-las proferirem “Nunca trai meu marido, mas se fosse, teria que ser com o Vieira”. Ele, como qualquer Don Juan, adorava todas aquelas atenções. Casou diversas vezes, tendo filhos em cada união. As mulheres, que não se dava bem no inicio, acabavam virando grandes amigas, talvez por sofrerem do mesmo mal: amar quem não se contentava com um amor só.

Mas quem seria seu Vieira? Oras, Rufino Vieira era meu avô, senhoras e senhores. Sou filha do primeiro filho do terceiro casamento deste incurável e inescrupuloso galanteador. É o mesmo que em seu enterro, foi homenageado pelos filhos com a canção “Suave é a Noite” e que após a missa de sétimo dia, foram todos tomar uma no boteco e brindar pela vida do velho. Afinal, boêmio de primeira, ele mesmo dizia que em seu enterro não queria lágrimas, e sim cachaça. Não foi muito difícil para familiar conceder o seu desejo.

Meu pai tem o nome de seu avô materno, e por isso, não carrega em sua certidão de nascimento o famoso sobrenome. Mas nem por isso escapou de algo que está inserido em toda a família Vieira, algo que para algumas pessoas é considerado um fardo, para outros é apenas um complexo, muitos poderiam chamar também de maldição. Tudo depende da forma que você enxergar o amor.

Do que estou falando? Bom, da mesma forma que meu avô não conseguiu estabilizar-se em um único casamento, ou amar eternamente uma única pessoa, nossa família também não. Entre os mais velhos, é comum se casar duas, três ou até quatro vezes. Eu mesma sou fruto do segundo casamento do meu pai.

Recentemente, meu tio casou-se com a mulher com quem já vivia há anos, e o juiz de paz, não conhecendo a história de amores diversos de minha família começou a fazer um discurso falando mal sobre pessoas que se casavam mais de uma vez, falando que o casamento anterior do meu tio havia falhado por não ter sido abençoado por Deus. Só não sabia ele que a antiga esposa do meu tio era grande amiga da atual, e que só não havia aparecido ao casamento porque sua neta estava doente. Também não sabia o Juiz que no salão estavam várias mulheres e ex-mulheres juntas, assim como maridos e ex-maridos de diversos casamentos.

Meus primos já começaram a se casar e ainda não sucumbiram a maldição. Nossos conjugues estão temerosos. Será que nós, a segunda geração de seus Vieira, nos livramos graças a mistura de sangue com outras famílias? Sinceramente, para nós, os Vieiras, essa é uma maldição que não fazemos muita questão de nos livrar.

domingo, 4 de abril de 2010

Sobre o que era

O que restou não foi amor

Se tudo não passou de um engano

O que restou não era pleno

Era somente um plano

De felicidade.


Se te segui sem você ver

Rastreei os teus caminhos

Vasculhei as coisas tuas

Não era dor

Era só curiosidade.


Senti teu cheiro pela rua

E o teu gosto me visitou

Mas não era ciúme

Nem amor.

Era só

Simples e só

Boba saudade.

sábado, 3 de abril de 2010

“Não se fazem mais homens como nunca existiram”

Vamos aqui fazer uma breve confabulação acerca de alguns questionamentos levantados a respeito do ser romântico numa tarde agradável de um feriado qualquer entre amigos. Um indivíduo do sexo masculino no auge de seu descontentamento diz: “Não se fazem mais mulheres como antigamente!”, rebatendo a máxima eis que o indivíduo do sexo feminino no seu momento de indignação profere: “Não se fazem mais homens como nunca existiram!”. Partindo desta breve cena, que não foi retirada de uma novela mexicana, decidimos compartilhar com vocês algumas de nossas inquietações que emergiram nesta tarde, até então agradável, e a partir deste fato passou a ser arraigada de sentimentos e situações antagônicas.

De acordo com a frase acima, em negrito, pode-se entender que, por vezes, as pessoas do sexo feminino idealizam o que “o cabra” não pode oferecer. Mas, peraí! Não pode ou não tem para oferecer? Em termos psicológicos, o que parece que as maiorias das mulheres experimentam é uma espécie de projeção, tal qual o escultor que diante de sua obra dá os contornos que deseja.

Voltando-se para questões mais práticas, afinal de contas: o que se espera que um homem ofereça? Que homem é esse que elas desejam? Por que as mulheres construíram e/ou constroem essa imagem de um homem que parece ser utópico? Estas diferenças de gênero são questões culturais, biológicas ou ideológicas? Os homens podem ser considerados românticos?

Segundo um dicionário sem capa, de uma referência qualquer, o significado da palavra romântico é definido como: alguém que nas idéias, no caráter ou no temperamento revela algo de apaixonado, nobre, de lírico que o eleva acima do prosaico, do cotidiano. Ou, qualidade de um sujeito fantasioso, sentimental e/ou poético.

Analisando através desta definição, algo nobre não pode ser corriqueiro, o romantismo só pode existir através do amor. Algo que só pode ser vivenciado por meio da experiência do cotidiano, e talvez isso que queira ser dito pode ser explicado pelo texto aqui já publicado: “Uma única pessoa é um universo infinito, pronto para ser explorado todos os dias, até o fim da vida”. Podemos também analisar através de outra ótica, um sujeito fantasioso, como o personagem do texto: Carta com pedido deste cafajeste: não se dispa para mim, deve se achar romântico ao seu jeito, porém, se afirmarmos que ele pode ser romântico com todas que ele se envolve, descartamos a hipótese levantada na primeira análise. E por fim, definindo um romântico como um sujeito sentimental e/ou poético nos remete ao amor que antes de ser concretizado dever ser platônico, sofrido e exagerado, com direito a um final de “Romeu e Julieta”, mais ou menos como se trata o texto: Junto ao teu. Mas também pode não ser nada disto, como por exemplo: um sujeito que não seja romântico, não implica necessariamente que ele não ame, talvez seja só seu jeito “introspectivo” de amar, como no texto: Romântico a la Macondo.
O que se pode concluir disso tudo? Independente de cada crença nos cabe procurar aquela “cara metade” que nos complete nas virtudes que mais admiramos. Procuremos pessoas onde possamos casar nossas neuroses, nossas manias e que equilibremos nossos desequilíbrios, ou como já diz a letra do Skank: “quando eu estiver louco (a), sutilmente me abrace”. Como dizem por aí: para cada panela existe uma tampa, e para outras panelas existem várias tampas, e se for verdade isso, que saibamos escolher que tipo de panela queremos ser.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Música, chocolate e tiroteio

Lá estava ela, maravilhosamente linda e por mais que o lugar não contribuísse muito para alguns olhos, os meus não tinham nenhum problema com as filas para compra de peixe. Sempre a paquerei, mas ela não sabia da minha existência. Até aquele dia.

O homem lá na frente cantava uma música estranha, porém, eu não conseguia distinguir qual era a canção. A fila era enorme, e a linda garota se encontrava bem adiante. Ela não parecia muito contente, ficou alguns minutos procurando alguma coisa dentro da bolsa, até encontrar: era um chocolate.

Ainda tentando compreender a música que o fulano cantava no começo da fila, fui surpreendido por outro sujeito que saiu batendo em todos até chegar ao peixeiro, neste momento o sujeito gritou: “vou limpar a minha honra agora seu peixeiro maldito futricador de mulheres casadas”. Puxou uma arma, todos foram ao chão.

Neste exato momento aquela garota estava totalmente desprotegida, jogada ao acaso, não suportei a dor daquela cena e pulei para protegê-la. O pulo foi um pouco exagerado e chamou a atenção do atirador.

Ele virou e descuidou com o peixeiro, que por sua vez, tirou uma escopeta do balcão. Nesse momento eu já estava agarrado usando aquela linda garota como escudo. O peixeiro deu um tiro, o tiro bateu numa coluna atrás de mim e voltou na minha bunda, gritei de dor.

O atirador tentou correr, mas, escorregou no chocolate da linda jovem e caiu ao meu lado, num ato de puro heroísmo e sobrevivência, olhei para a garota e disse:

- Acho que não tenho muito tempo, você poderia me conceder um último desejo? – A garota balançou a cabeça afirmativamente, emocionada com toda a cena.

- Pelo amor de Deus, qual era aquela música que o sujeito tava cantando no começo da fila?

Do Nosso Início ao Nosso Fim

escrito há cinco anos...


No início era só medo
E o medo habitava nossos corações
E o medo guiava nossas ações
Logo, o medo foi embora
Daí, veio a euforia
E a euforia era nossa propriedade
Era nossa liberdade
Nossa válvula de escape
Mas ela nos escapou das mãos
E, no deserto de nossas emoções
Já não sabíamos ter receio
Nem ser eufóricos
Nossos sentimentos simplórios
Mostravam-se inexistentes
E, de repente
O ódio tomou conta
E cada olhar, cada palavra
Era espada, flecha e lança
Era espinho
Torpedo a longo alcance
No meio do caminho
E, por fim, o ódio gerou a dor
E a dor era intensa
Nessa lagoa imensa entre nós
A dor banhou-se, e riu-se, e saciou-se
E nós já éramos pequenos demais pra lutar
Então deixamos nossa lagoa
Virar mar.


Thaís Carvalho