domingo, 8 de novembro de 2009

Uma história que deu certo*

Por: Juliana Lofego**


"Quem um dia ira dizer que existe razão
nas coisas feitas pelo coração.
E quem ira dizer que não existe razão?"
Renato Russo- Legião Urbana


Eduardo e Mônica se conheceram na Olimpíada Universitária de Minas Gerais, em setembro de 1973. Mônica participava da equipe da Universidade Federal de Viçosa, onde cursava Matemática. Quando assistia a um dos jogos da competição recebeu uma carta de seu namorado, que morava em Uruguaiana (RS). Leu, saiu do estádio, comentou com as amigas e, antes de voltar para ver o jogo, comprou pipoca. Eduardo se aproximou, pediu pipoca e conseguiu. O namorado virou "ex" e Eduardo conquistou o coração de Mônica. Começaram a namorar.

Eduardo tinha 25 anos, estava no último ano de Odontologia e morava em Belo Horizonte. Mônica, com 19, ainda estava no início do seu curso e morava com os pais em Viçosa. O namoro logo virou noivado e a pressa na decisão de datas para o casamento não agradou a família da noiva. Os pais de Mônica queriam vê-la formada e as negociações foram atrapalhadas pelo "pavio curto" de Eduardo. Fim de namoro. Mônica não quis arranjar briga com a família. Os dois não se viram mais.
Eduardo mudou-se para Brasília, casou e teve três filhos. Mônica terminou o curso, casou, teve dois filhos, morou em Santos, Ouro Preto, Belo Horizonte e voltou para Viçosa.

Em 1988, Mônica recebeu um telefonema do irmão de Eduardo, que conseguiu o telefone ligando para sua antiga casa. Ele se identificou para a mãe de Mônica como sendo um amigo de BH e recebeu a ficha completa. Na ligação, ele disse que Eduardo estava impressionado com um sonho que tinha tido com ela, que lhe parecera muito real. Ao perguntar da data do sonho, Mônica se assustou: "Na quinta-feira? Foi no dia em que me separei do meu marido!" Ela pegou o telefone de Eduardo em Brasília e ligou. Eles continuaram se falando e se correspondendo. Eduardo estava também separado de sua esposa e morando sozinho.

Alguns meses depois Mônica precisou ir a Belo Horizonte e Eduardo decidiu ir também. Depois de 14 anos sem se verem, os dois se encontraram num bar e, para surpresa de Mônica, ele levou uma pasta repleta de correspondências, fotos, poesias e recordações do tempo de noivado. Reataram o namoro e se viam sempre que podiam. Durante este tempo, Eduardo montou uma segunda pasta de recordações, com outras tantas cartas e fotos, e incluiu algumas contas de telefone (Viçosa, Viçosa, Viçosa) com uma media de três paginas, constando ligações de até quatro horas de duração.

Mônica mudou-se para Brasília em 1989 e foi morar com Eduardo. Hoje, a família está um pouco mais crescida. Dois dos três filhos de Eduardo estão morando com eles (com idades entre 13 e 18 anos), que com os dois de Mônica somam quatro (com 13 e 14 anos). E eles tiveram mais dois filhos depois do casamento, atualmente um está com um ano e oito meses e o outro com 3 meses. Para completar o conto de fadas: eles estão juntos e felizes para sempre.

*Esta matéria foi publicada em junho de 1994 no suplemento de dia dos namorados do Campus, jornal laboratório do curso de Comunicação Social / Jornalismo da Universidade de Brasília. O texto atual sofreu uma pequena edição. Como esta é uma história real, os nomes foram mudados a pedido dos protagonistas para preservar a intimidade da família.
** Juliana Lofego é Professora do Curso de Comunicação Social/Jornalismo da UFAC

Um comentário:

  1. Que linda história, deveríamos convidá-los pra confraria também! =D

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