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terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Um bom motivo







Já não escrevo tanto assim

Não por falta de palavras

Ou mesmo inspiração

Se não escrevo como antes

É por falta de tempo

Não por falta de paixão.

É que o tempo anda escasso

E o que me sobra eu passo

Sem reservas com meu bem

Se não escrevo poesia

Não é por falta de amor

Nem de alegria

É por culpa de alguém

Que me ocupa os pensamentos

Preenche o coração

Alimenta meu sorriso

Já não tenho mais tempo

Perdoem o meu sumiço

Essa vida de correria

Entendam e relevem

Melhor ainda que escrever

É viver... Viver a poesia.



Thaís Carvalho

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

O amor

Quando o amor minguar
Vou procurar outra dor
Vou me envolver noutro laço
Vou me perder noutro vício
Vou recolher meus pedaços
Vou retornar ao início

Eu, que ando preso num vácuo
Eu, que não sei nem quem sou

O amor despenteia os cabelos
Deixa o sono intranquilo
É impossível detê-lo
É inútil segui-lo

É o amor quem nos segue
Nos cega
Nos suga
Depois faz que peçamos
Mais

O amor quebra algemas da alma
E enche os copos vazios
Leva o resto da calma
Deixa os olhos no cio

Toda vez que o amor
Te chamar
Te quiser
Bota a casa nas costas
E, asas postas,
Vai

Rodolfo Minari

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Procura

Estou à procura de palavras
Que não digam
O que eu não quero dizer
Palavras que sussurrem
O que não pode ser ouvido
E que só sejam ouvidas
Por quem não pode entender
Vocábulos abandonados pela estrada
Pois quem não pôde usá-los
Soltou-os pelo ar
Procuro a tais
Revejo o caminho
Reviro as folhas amassadas
Mas não consigo encontrar
Caço palavras selvagens
Que com suas garras afiadas
Possam dilacerar um coração
E ao mesmo tempo
Com seus olhos de pedido
Peçam pra ser meu bicho de estimação.
Preciso delas com toda minha alma
As espero com todo meu ardor
Hora não tenho, outra hora tenho calma
Quero aguardar, outra hora tenho horror.
Palavras agitadas como o mar
Ou simplesmente calmas como um rio
Palavras que deixei de ouvir e de falar
E chego a pensar que esse tipo de palavra
Nunca existiu.


quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Sonho, mas não parece...


Quero compartilhar com vocês um poema que aprecio já há muito tempo e com o qual me identifico profundamente (com cada palavra, cada vírgula, cada silêncio...)





Biografia

Sonho, mas não parece.
Nem quero que pareça.
É por dentro que eu gosto que aconteça
A minha vida.
Íntima, funda, como um sentimento
De que se tem pudor.

Vulcão de exterior tão apagado,
Que um pastor
Possa sobre ele apascentar o gado.

Mas os versos, depois,
Frutos do sonho e dessa mesma vida,
É quase à queima-roupa que os atiro
Contra a serenidade de quem passa.
Então, já não sou eu que testemunho
A graça
Da poesia:
É ela, prisioneira,
Que, vendo a porta da prisão aberta,
Como chispa que salta da fogueira,
Numa agressiva fúria se liberta.

(Miguel Torga)

domingo, 19 de dezembro de 2010

A Ponte


As cicatrizes já não doem, nem mesmo em tempos frios. Se às vezes lembro que existem, o sorriso diminui nos lábios por pouquíssimos segundos. Não mais que isso.

As palavras que por toda uma vida se calaram comigo ferem menos do que as que usei para magoar (mesmo que sem perceber) outras pessoas. É um fato com o qual convivo bem.

Não sou do tipo de pessoa que se arrepende só do que não fez. Na realidade carrego um certo orgulho de muitas coisas que evitei.

Assim como tenho certa angústia de lembrar do que poderia ter feito diferente também carrego a tranqüilidade das coisas boas que conquistei ao longo do tempo.

Já sofri decepções como todo mundo nessa vida. Também já provoquei infelizmente sofrimento em outros.

Já desconfiei de pessoas que mais tarde aprendi que podia confiar. E, infelizmente, também já confiei muito em outros que aprendi, a duras penas, que era necessário duvidar.

Não há nenhuma façanha em tudo isso. Passamos, cada um a seu momento, por situações semelhantes. Mas, a grandiosidade de se abrir os olhos para um novo dia e encher os pulmões de ar me faz ver que é muito bom estar viva para escrever.

Um dia ainda conto a história da ponte pra você. Ou talvez não. Na realidade era um pensamento fruto de uma mágoa que um dia tive.

Quer mesmo saber? ...

Bem, a ponte nem mesmo existe, só que aqui, na minha imaginação, era bem alta, sem cordas pra se segurar, balançando sobre um precipício.

Altíssima, estreita, comprida e completamente insegura - eu jamais ousaria passar sozinha por ela! Mas, por diversas vezes me ofereceram a mão para me acompanhar até o outro lado. Quando dei por mim, estava lá bem no meio da ponte... e sozinha.

Sei que parece triste. Só que eis que aparece você, segura firme minha mão e me ajuda a equilibrar. E ainda agora estamos passando pelas inseguranças dessa ponte. Ela às vezes parece uma aventura perigosa, mas com você ao meu lado conquistei essa certa coragem. Acho que isso me basta para enfrentar o medo e sorrir. E só precisamos continuar de mãos dadas assim.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Amanhecer



Sabe quando a gente perde a direção

Quando os amores já não são mais tão amáveis

E o que passou, desceu rasgando sem piedade

E você pensa, você jura

Nunca mais fazer o mesmo, nunca mais acreditar

E cada novo amor parece espelho do passado

Refletindo cada erro, repetindo cada cena

Sem pausar

E você quer seguir em frente

Reescrever a tua história

Outra vez, ainda mais

Mas te parece que os reflexos to passado

Viram fantasmas sempre prontos

Predispostos a tirar a sua paz

E cada um tem um palpite, uma receita milagrosa

Que te tire desse quarto escuro,

E te liberte dessa dor

Mas, de tudo que já ouvi

Nada mais duro e verdadeiro

Do que o que alguém

Essa semana me falou:

‘Ergue a cabeça, olha pra frente

Que o passado...

Esse... já passou.’

Tanta coisa aconteceu enquanto eu dormia

Mas agora abro a janela

E posso ver com clareza

Que já é dia.


Thaís Carvalho

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Abraço












Quando me abraçou
Você disse: Tá tudo bem, amor
E eu me despreocupei
Era pra ser assim, não era?
Eu respirei aliviada
e você disse: não foi nada
Desculpa a espera.
Eu te desculpei
Você me olhou nos olhos bem demorado
E me convidou pra dançar
Eu já te avisei que eu danço errado
Mas você disse não se importar
Era assim, não era?
Você não se importava se eu errasse
Sempre compensava o meu passo
Implorava que eu dançasse
Hoje já não sei
Acho que não é mais como antes
Sinto que dancei
A diferença é que agora
Você não está aqui pra compensar
Mais o meu passo
Eu nem queria mais dançar
Bastava apenas que repetisse
O que me disse
Naquele abraço.


Thaís Carvalho

sábado, 17 de abril de 2010

Chuva

dezembro/05
E na chuva que cai
Devagar
Como as lágrimas
Que já derrubei
Há poemas de amor
De um rei
Um senhor
Cada gota
Uma rima
De um homem enganado
Há loucura de amor
No sereno que cai
No telhado
Há desejos e sons
De sonhos tão bons
Para serem realidade
Há verdade na chuva
Que cai
De saudade.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Em vão

Não há palavras.
Já as procurei
em cada canto do quarto.
Não há nenhuma
que possa definir o que sinto.
E isso não é novidade.
Elas nunca existiram,
só agora eu percebi.
Sempre foram apenas
ilusões auditivas...
Sonhei ouvi-las de ti.
Mas era sonho
E quando acordei
Procurei, fui atrás...
Não estavam aqui
Não estavas mais
Aqui.
Thais Carvalho

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Do Nosso Início ao Nosso Fim

escrito há cinco anos...


No início era só medo
E o medo habitava nossos corações
E o medo guiava nossas ações
Logo, o medo foi embora
Daí, veio a euforia
E a euforia era nossa propriedade
Era nossa liberdade
Nossa válvula de escape
Mas ela nos escapou das mãos
E, no deserto de nossas emoções
Já não sabíamos ter receio
Nem ser eufóricos
Nossos sentimentos simplórios
Mostravam-se inexistentes
E, de repente
O ódio tomou conta
E cada olhar, cada palavra
Era espada, flecha e lança
Era espinho
Torpedo a longo alcance
No meio do caminho
E, por fim, o ódio gerou a dor
E a dor era intensa
Nessa lagoa imensa entre nós
A dor banhou-se, e riu-se, e saciou-se
E nós já éramos pequenos demais pra lutar
Então deixamos nossa lagoa
Virar mar.


Thaís Carvalho

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Velho Aparelho

Mais um poema antigo...

Não é o toque do telefone
Que me desespera
Ele sempre toca
Mas o que me toca
O que me preocupa
É a espera
São esses longos minutos
Que me tiram o domínio
Esses segundos absurdos
Frios como alumínio
Que não possuem piedade alguma
É essa frialdade da tortura
Cada tic-tac do ponteiro
É um tiro certeiro
É um espinho na carne
É um pulso a mais no peito
É uma farpa
É um aperto
É um calafrio
É um vazio
Que parece não ter fundo
É tudo o que sinto
Enquanto espero
Num só segundo.




Thaís Carvalho

sábado, 26 de dezembro de 2009

Coração


Um poema antigo meu, espero que gostem...


Coração


Se esse coração falasse
Dissesse com todas as letras
O que quer
Ou quem quer
Se ele gritasse
Batesse o pé, teimasse
Fosse pra cima, chamasse pra briga
Desse porrada
Apelasse
Se ele xingasse a mãe
Ou quem quer que fosse
Se ele mostrasse
O caminho,
o torto e o direito
Desmoralizasse
O peito
E, se depois de tudo
Ninguém desse corda
Ele parasse...


Aí quem sabe
Um dia
Eu percebesse que ele batia.



Thaís Carvalho