sexta-feira, 30 de julho de 2010
Haicais*
terça-feira, 27 de julho de 2010
A volta
Dia desses tava assistindo a um filme, um documentário feito na Ilha de Cuba, retratando a vida de dez pessoas. Seu dia-dia, seus sonhos, seus medos. Numa das últimas cenas, uma moça diz: meu maior sonho é viajar pra poder voltar.
Isso de "poder voltar" demorou a fazer sentido na minha cabeça. Porque voltar costuma ser a parte menos esperada de viajar.
E então meu namorado precisou viajar. Dez dias longe do lugar ao qual ele pertence, ou seja, meu peito. Tudo bem, a ladainha da distância vocês já conhecem, já postei meu lamento nesta confraria anteriormente. Mas o que me chamou a atenção, dessa vez, foi justamente a volta.
É que eu entendi o que ela quis dizer com "viajar para poder voltar". Entendi do meu jeito, do jeito que me interessa, obviamente. Entendi que muito embora a ausência seja terrível e tenha doído todos os dias, quando ele voltou foi...glorioso.
Ele voltou com um livro de tiras do Snoopy pra mim, com uma dedicatória tão certeira que, na hora, me tirou o ar. Ele voltou com a barba por fazer. Ele voltou com tanto amor no abraço que me deu vontade de não sair dali nunca mais. Ele voltou com o olhar faminto.
Entendi o quanto voltar é magnífico. Pelo menos pra mim foi. Matar a saudade dos cheiros, redecorar os gestos, recuperar os sabores...e ficar com uma canção de retorno na cabeça por dias, e dias, e dias...ter minha casa de volta.
"Você voltou, meu amor, alegria que me deu..."
domingo, 25 de julho de 2010
Último Beijo
Ficou o fel
Lábios sedentos
Um dia mel
Quem terá o antídoto?
Covardias à parte
Despedida é a arte de deixar peito aberto
A gritar por razão
Quem será o bandido?
O tempo gasto nas horas,
A vida sem direção
Até encontrar num sorriso
Aquele que virá como antídoto
Que nem mocinho, outrora ladrão
A roubar um coração aflito.
sábado, 24 de julho de 2010
Autoajuda
Circulam por aí pelo menos 238 mil manuais de orientação comportamental relacionados ao amor. O sucesso da autoajuda, que nada mas é do que a ajuda de quem escreve, é prova de que o povo anda meio desorientado na atitude de amar.sexta-feira, 23 de julho de 2010
Haicais*
quem faz cócegas em tua alma
no jeito de olhar
Ataualpa - 22/04/2010
Quando o tempo estica
até quase rebentar,
só a saudade explica
Ataualpa - 25/05/210
Amor arriscado
terá para sempre o gosto
dum beijo roubado
Ataualpa - 27/04/2010
É na pele quente que
se lê nas curvas
leve sombra do toque.
Nathalia
Os toques ecoam
pele adentro a badalar
no peito, ressoam.
sexta-feira, 16 de julho de 2010
Amor, estranho amor
Avassalador
Chega sem avisar
Toma de assalto, atropela
Vela de incendiar
Arrebatador
Vem de qualquer lugar
Chega, nem pede licença
Avança sem ponderar
(Lenine)
O amor é injusto! É sim! Quando ele vem, vem de uma vez, nem sempre avisa ou dá sinal. Quando menos se espera, surge como quem estava à espreita em uma esquina escura, talvez por isso digam por aí que o coração tem esquinas, algumas escuras. Esse amor ora ou outra, assalta o coração das pessoas deixando imensa sensação de vazio e impotência, isso mesmo, aquela sensaçãozinha, de “nada”.
O danado tem características boêmias, pois surge, de repente, sem escrúpulos, de encontros fugazes, em mesas de bar, de bebedeiras despretensiosas e de amistosas partidas de sinucas. O amor é bandido, rouba a estima de mulheres gostosas, transforma brigões em diplomatas dando sumiço em suas fúrias, faz com que os rudes e grosseiros machistas abram mão de suas heranças culturais entre outras coisas que somem sem que percebam e que o amor responde a processo sendo o principal suspeito.
O amor tem lá suas excentricidades, é estranho ver carros de mensagem soltando fogos, emitindo mensagens e produzindo constrangimentos, mas os casais continuam fazendo isso e a culpa é de quem? Do amor. Bilhões de pessoas riem, acham um mico, criticam, fazem chacota, mas estranhamente as declarações inusitadas, namoros virtuais, casamentos à distância e filmes como “A walk to remember” continuam a fazer sucesso e quem não quer amor? Eu hein, estranho.
O amor deixa as pessoas confusas, ansiosas, produz “borboletas no estômago”, provoca taquicardia, tira o fôlego, dá ausência de razão e em alguns casos causa fraqueza nas pernas e dizem que não tem contra indicações. Além disso, mata e permite que sua vítima continue a viver.
quarta-feira, 14 de julho de 2010
Dicionário da mulher – Verbete: Pé na bunda
E agora me dirijo aos românticos peões, raça perseguida pelas “amazonas bem querer”. Temos culpa no cartório dos relacionamentos afetivos. Assumamos: o amor rejeitado é nosso calcanhar calejado véi de Aquiles. Oferecemos asilo político em nossos corações para as autoras dos melhores pontapés que levamos. Não se sinta mal, é assim mesmo. No creo que seja por culpa da mazela contemporânea da baixa auto-estima.
A angústia é compartilhada por quem desfere o golpe mortal do “fuera, hasta nunca más”. Sem querer vitimizar a vilã, mas há aquele chute que elas dão com o coração amargurado, sem nada daquela história de ser superiores. O sujeito pode ser jogado para escanteio no primeiro flerte ou mesmo depois de anos de relação, mas a razão é a mesma: ela quer que você reaja, hombre!
No primeiro caso, recomenda-se a mudança de abordagem. Não se perca falando do tempo se pode se concentrar nos lindos olhos dela. Pra que perguntar se ela vai sempre ali se uma boa pegada no corpo dela é bem mais eficaz? Seja mais cowboy, nesse velho-oeste da conquista.
Se você já a teve, mas a rejeição veio, te aconselho: o que a dama nada mais almeja é que usted retorne a ser o valente príncipe que outrora se dedicava a torcer pela promoção dela no trabalho, que se interessava em saber qual comédia romântica ela mais gostava ou quais sentimentos só a pobrezita sente quando está nos dias da nefasta TPM. Confesse, seu leso. Andaste achando que jogo já estava ganho e, inesperadamente, pegaste uma tremenda bola nas costas, uma virada triunfal.
Canalha, não fique cabisbaixo. Após a criação desta Confraria, passei a ser mais consultado pelas amigas - sim, amizade com mujeres é coisa de macho sabido - sobre as diversas facetas dos relacionamentos. Virei um conselheiro amoroso. E num momento destes de ouvidor de casos românticos, recebi de uma amiga a pedra filosofal dos enroscos: precisamos de um belo "lava" para tomar tento.
Ela te derrubou do castelo da indiferença exatamente para isso. Acorda, diacho! O que a perseguida quer é um amante mais arretado e que a procure com o melhor papo que tiver pra tê-la de nuevo.
E daí tiramos até um agrado: por vezes a rejeição que ela nos oferta é tão lírica, tão bonita de ver que, cá entre nós, é até afrodisíaca. Nada em exagero, é claro. Não seja capacho, por que aí já era. Mantenha-se o alphadog desta matilha. Se é a primeira frescura que ela faz contigo, te acalma. É só um dengosinho do bom, compañero.
domingo, 11 de julho de 2010
UNIDOS*
Meu pulsar. Meu sentido. Meu acalanto.
Teu agir. Teu amar. Teu calor.
O meu e o teu juntos.
Meu braço na tua cintura, meu envolver no teu.
Tua cabeça no meu ombro e minha respiração nos teus cabelos.
Meu olhar perdido no teu olhar.
Unidos. Onde fica o meu e o teu?
*Por Daniel Amaral (Romântico assumido e sempre bem vindo à esta confraria)
sábado, 10 de julho de 2010
Diálogos de um sacoleiro da fronteira entre o amor e libertinagem I
- Mas você vai lembrar de mim amanhã?
- Nem a pau.
-Ah, você não devia fala assim...
- Tu prefere a mentira?
- ...
- Vamos?
- Tá. No teu carro?
- De quem mais seria?
- ...
- Te amo mais do que ninguém. Hoje.
Às 5 horas da manhã, demos um beijo caloroso. Em seguida, ela ouviu com atenção as orientações de onde o ônibus passa pouco antes de receber os cinco reais. Melhor e último gozo da vida. De lembrança pra mim, deixou um escapulário.
sexta-feira, 9 de julho de 2010
Epitáfio

quinta-feira, 8 de julho de 2010
Meu benzinho
Mas se há um momento em que os apelidos podem gerar uma cisão e virar uma agrura do amor conjugal, é quando naquele instante de besteira que Deus dá uma das partes chama a outra pelo apelido em público. Se é a moça chamando seu namorado de benzinho na frente das amigas, surgem risinhos de canto de boca e prováveis AAAAWWWNN. Mas e quando é o rapaz que, sem querer, chama sua outra parte no mundo de jujubinha na frente d’Os Caras, a raça mais aterrorizante a habitar a Terra?
Claro que o incauto vai virar alvo de piadas, como se ser macho-alfa dominante e ser carinhoso fossem mutuamente excludentes. O que Os Caras não entendem e, enquanto forem Os Caras nunca entenderão, é que manifestação pública de afeto nunca será ridículo. Assim como escrever cartas, dedicar poemas ou, para os que gostam, dar e receber flores (não é o meu caso). E demonstração pública de afeto não é prerrogativa, direito e obrigação feminina, não senhor. Manifesta amor quem sente. Claro que não é nada agradável ver um casal que se ama se amando o tempo todo, 24 horas por dia. Claro que há os momentos de intimidade, que devem ser preservados não por serem bregas, mas por serem íntimos. Afinal, quem aqui nunca agiu diferente, nunca disse um apelidinho, nunca usou um tom de voz mais ameno pra sussurrar ao ouvido de quem ama antes de adormecer? Faz parte da magia de ser do outro e ter o outro.
O problema do macho-alfa dominante que tem uma namorada é a referência de uma outra vida que Os Caras trazem pra ele: "eu xingo,eu cuspo, eu coço o saco, eu bebo cerveja, eu pego gatinhas enquanto você tá aí chamando sua namorada de pitelzinho". É pesado. Mas se há amor, há resistência. E a resistência é doce.
Apelido tá dentro do pacote “ser namorado de alguém”. Assim como os momentos de estar junto a sós, sem Os Caras por perto. Assim como uma ligação depois de um dia duro pra saber como estão as coisas. Assim como todas as pequenas magias que o amor conjugal traz.
E quanto Aos Caras, deixe que descubram o amor, ou voltem a amar. A namorada vai chamar de Suricatinho na frente dos outros e ele vai achar lindo. O dobro ou nada.
*Mas, afinal, quem são Os Caras, essa raça tão temida? Ora...Os Caras são os amigos solteiros, claro. Quantas moçoilas já ouviram um "amor, não fala assim na frente d'Os Caras"...
terça-feira, 6 de julho de 2010
Tratado Geral do Ciumete – Parte IV: o telefonema embriagado
O indignado resolveu ouvir os conselhos dos amigos, aqueles que disseram “se você ficar em casa é pior”, “mulher é que nem biscoito, vai uma vem oito”, entre outras máximas da auto-ajuda de cabaré. Saiu para a caça. O resgate daquele macho alpha de antes, porém agora domesticado por aquela que a pouco o abandonara.
Para ajudar nessa hora, todo favor é de bom grado. O sujeito desprezado resolve que é hora de recuperar o fluído corporal perdido em formato de lágrimas. E se assim for, que seja restituído com líquidos nobres. Ele chama para se composição da turma os velhos esquecidos Johnnie Walker – velho parceiro de andanças, José Cuervo – chicano invocado, mas chegado, e Vô Luiz – este ancião canalha.
Tudo pronto: que comecem os jogos entre varões & princesas, noturnamente repetidos todos os dias. Ele está de volta! Está nos vaivens mais uma vez! E quer se perder na covinha de algum sorriso convidativo... Recebe as atualizações em relação às gírias e parte pra vida mundana com confiança de quem já foi bom no esporte.
Eis que leva a rasteira do destino. Um golpe nas partes baixas da auto-estima. Ela está ali! Bebendo despreocupações e sorrindo “falta de remorsos” para quem quiser apreciar. E a malvada não está só, tem um brucutu a tiracolo. É o sopro de uma turbina de avião no castelo feito com cartas de baralho que esse abestado montou para se enganar. Ainda a ama, não resta dúvida.
Nada vai animar o nosso herói. A partida foi perdida num xeque-mate pastor. Desgraçada! Entre os instantes em que ele apaga numa amnésia alcoólica e dorme de vez, o judiado rapaz vai procurar o telefone. Quer ouvir da voz dela que já não o quer. Não o julguem, ele não faz ideia de que qualquer uma das respostas possíveis para esta questão o machucará como nunca.
Apesar de ter apagado o número dela da memória do celular, da memória do coração aquela combinação numérica ainda se mantém bastante viva. Caros confrades, é nessa hora que se faz o teste final do anjo-da-guarda do cristão: é torcer que o iPhone – presente do último Dia dos Namorados juntos – tenha caído de bateria até a ressaca do infeliz passar.
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Saudade
Até agora não ouvimos falar em clínicas de reabilitação ou terapias em grupo, nada de campanhas preventivas no combate a essa dependência, só se vê apologia: das músicas sertanejas a arte de Fernando Pessoa. Definitivamente fomos deixados de lado por sermos portadores de doença sem cura.
Não existe contraveneno e nem pesquisa em Harvard, o que nos resta é a total ausência de esperança e um fato: a saudade sempre vence. Ela vence o mais forte orgulho, derrete corações de pedra como se fosse algodão, é droga forte e um caminho sem volta.
Porém, pouquíssimos ingredientes são tão fundamentais para o crescimento do bolo amoroso, quanto o fermento saudade. A boa dica para quem se dispõe a enfrentar os desafios da vida a dois é: domine o vício, use doses moderadas em dias variados, isso pode ajudar na regulação do sistema bioamoroso (como eu disse, não existem pesquisas).
Ora vilã, ora mocinha, a saudade tem sido os radicais livres do nosso amor, pode ser boa mesmo possuindo o poder da destruição em massa. Nosso consolo é o de nunca termos presenciado um óbito por motivo saudade.
domingo, 4 de julho de 2010
Eu faria tudo novamente*
Eu seria um egoísta em te querer sempre em meus braços? Seria eu, quem te acordaria todas as manhãs com fogo da paixão nos olhos para saciar seus desejos? E te abraçaria durante a noite para te provar que sempre pode contar comigo?
Olhe para você, porque deixar sempre uma barreira entre nossos sonhos e desejos? Proponho baixarmos a guarda – pois não sabemos aonde essa estrada vai nos levar. Mas juntos, temos a certeza como nossos corpos vão dizer o que realmente nos fazem falta quando enfim olharmos nos olhos um do outro.
Por mil anos eu faria tudo novamente, caminharia em cada sonho, sempre ao seu lado, sempre te dando a segurança, e deixando fluir os desejos que ofuscamos com desculpas para não nos envolvermos ainda mais nessa loucura chamada “Você e Eu”.
*Rodrigo Torres - o mais novo colaborador desta confraria.
quinta-feira, 1 de julho de 2010
Dicionário da Mulher – Verbete: O andar

Com um caminhar bem executado, a cabrocha pode hipnotizar inúmeros pedreiros, gerar engarrafamentos e acidentes automobilísticos, danificar pescoços despreparados e provocar beliscões em maridos durante o passeio com suas digníssimas. Estamos falando de uma arma de destruição em massa de corações mundanos. De um semeador de sorrisos honestos & sacanas.
O andar é tão poderoso que serve até como afrodisíaco. Caros leitores acanhados, peço que não caçoem dos machos que se deliciam em servir de tapete persa para a amada durante os imbróglios sexuais. Tara é tara e cada um tem a sua. E esta nem é das mais estranhas, a de se convir.
Uma das belezas de exaltar o andar é que ele nunca é igual, tal qual uma impressão digital. A linda pode andar devagar, rápida, ou nem devagar e nem rápida. Pode ter passos firmes ou tímidos. Passadas largas ou encabuladas. Com requebrado nas velocidades “mínimo”, “médio” ou “britadeira”. Tem aquelas que caminham com os pés simetricamente alinhados, outras andam com o relógio apontando “dez minutos pras duas horas”.
Só sei que gosto de observar. Gosto de adivinhar tudo através do andar. Se ela é ciumenta ou se lê de livros de auto-ajuda. Se ela se entrega aos amores, ou se leva a profissão acima de qualquer outra coisa. Se ela chora em filmes da Meg Ryan ou se gosta de ouvir Beirut. Se ela tem potencial para uma paixonite arrebatadora ou se é o tão esperado amor desta encarnação.
Desculpem leitoras, mas não é uma superstição. É um dos critérios que nós homens utilizamos. Uso este juízo todo dia. Fico olhando e olhando até o dia em que chego para pretendida com a legítima dúvida: “Como será que fica se andarmos de mãos dadas?”
terça-feira, 29 de junho de 2010
A beleza que só eu vejo
Você é um lírio do campo
Não precisa de vestes
Adereços, maquiagens
Ou qualquer esforço
Porque foi feita bela
Contemplar-te
É agradecer
Por tão profunda beleza
Formosura que se estende
Além dos que os olhos
Podem ver
De todas as ervas do campo
A sua dança é a única
Que balança o coração
De um simples qualquer
A passar
Tua simplicidade
Encanta e reluz
Desnorteia e produz
Sentimentos fidedignos
Você é um lírio do campo
E todos os seres vivos
A sua volta
São meros expectadores
Encantados com profunda beleza
A água e a terra
Alimentam-se da tua graça
Expandindo alegria
Florescendo
Tudo a sua volta
O sol fica grato
De poder iluminar-te
E chora sempre
Que tem que partir
Corando o horizonte
O vento sopra
Carinhosamente
Esperando mais uma vez
A mais bela dança
Da mais bela flor
quinta-feira, 24 de junho de 2010
Homenagem de cumpleaños a el muchacho de la Confraria Helder Junior
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Escolha

sábado, 19 de junho de 2010
Nota de pesar pela morte do Amor
Esse senhor foi capaz de brigar com o mais forte orgulho humano, transformou vidas medíocres, na mais pura representação utópica de felicidade, fez de Hollywood seu parque de diversões e teve verdadeiros guerreiros na luta pela segurança do seu reino.
Mas a morte é implacável! Cruel que só ela... Com sua foice carregada de ganância e estupidez, montou diabolicamente sua estratégia contra seu principal inimigo, foi morte covarde, um tiro pelas costas, hoje ela tripudia sobre os mestres que um dia disseram: o amor é eterno.
Com a sua morte ficaremos a mercê de superficialidades, dependentes de todos os tipos de drogas e seus traficantes, passaremos a viver em um mundo sombrio, sem graça e muito puto da vida. Nosso pesar é imenso, não só por esse senhor, mas principalmente por tudo o que a vida representa.
sábado, 12 de junho de 2010
Sempre Passa

Certa vez você me perguntou o que haviam feito comigo para eu ser tão desajustada. Sinceramente, meu querido, eu não sei. Tive uma boa vida, com pais que me amavam e me apoiavam. Não tenho grades traumas. Nem sempre as coisas saem como eu espero, mas isso é a vida, não é? Um amontoado de planos que dão errado. Mas eu tive uma vida particularmente boa, calma, sossegada, com bons amigos. Então você me pergunta por que eu sempre empurro as pessoas para longe. Por que me afasto a qualquer sinal de intimidade, e não estamos falando aqui sobre o sentido carnal da coisa, mas o sentimental mesmo. E eu não sei o que lhe responder. Depois de tanto tempo, ainda estou procurando as respostas para essas perguntas que só poderiam vir de alguém como você, que me conhece a vida toda, e sabe bem onde ficam minhas feridas, talvez até mais do que eu mesma. A verdade é que, quando eu estou gostando muito de alguém, eu simplesmente ignoro. Fico calada, fumo um cigarro, peço um drink (como diria Caio Fernando Abreu) e espero passar.
Foto por Sarah Hermans
sábado, 5 de junho de 2010
Isso é tudo

terça-feira, 1 de junho de 2010
A Arma
Macharada que lê o blog, a rasgação de seda com as mulheres não pode parar, afinal, pra quê esperar o oito de março pra falar detalhadamente da sua importância nas nossas vidas?
É isso aí, falarei aos cabra-da-peste que bebem da leitura deste blog, àqueles que notam nas mulheres além da beleza, o talento e a inteligência. Agora cá entre nós, fora beleza, talento e inteligência, a arma mortal de uma mulher, o alcatraz de nossos corações chama-se: carinho.
Nossas mulheres têm a capacidade inquestionável de transformar um abraço num tratamento intensivo anti-stress, fazem de uma palavra o conforto de um dia difícil, do seu colo o leito da alma, é arma pesada que nem beleza, inteligência ou talento é capaz de suprimir.
Pobres das almas femininas que criadas em cativeiro, perderam essa arma fundamental pra sobrevivência na selva amorosa, a natureza é sempre implacável e voraz. Pobres de nós que muitas vezes sub-valorizamos a voz melosa, a mensagem na hora inesperada, ou ainda a ligação de madrugada. Precisamos dar o braço a torcer, quando elas querem, são sempre mais criativas.
É! em pensar que um dia, no auge da nossa arrogância, denominávamos esse ser superior de sexo frágil.Que idiotice.
segunda-feira, 31 de maio de 2010
O Reencontro*

Confesso que temi, em certo grau, esse reencontro. Não mais do que ansiei, é verdade. Medo da mudança. Das coisas que poderiam ter deixado de existir. Medo da boca não ser mais tão macia, como na minha lembrança. Do encaixe não ser realmente tão perfeito. Da fantasia ter superado a realidade e criado algo que nunca existiu.
Pois bem, medo infundado. Tudo continua como antes. As mãos, com aquela textura que nunca vi igual em outra mão. A boca, que me leva à loucura onde quer que toque. Que beije. E o cheiro.. o cheiro, mais do que tudo, tem me embriagado desde que voltou. Ele sobe pelo meu nariz e envolve, me chamando, me prendendo. Me dizendo: vem ser minha. Quando tudo que eu consigo pensar é, "eu já sou". O que com qualquer outro se torna banal, contigo é quase sagrado. Minutos preciosos, insubstituíveis. Até o gozo se torna secundário, se é pra você que eu posso sorrir quando tudo acaba.
Tudo continua o mesmo. O sorriso maroto. A risada engraçada. O abraço apertado. E principalmente, a inatingibilidade do teu 'eu'. Tudo lá, exatamente como eu deixei um ano e meio atrás. Nada mudou, até mesmo o fato de você me querer apenas por algumas horas e nada mais.
* O excelente romance ( 2009) é de Jéssica Ramos, a blogueira do: Inconstante.
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Palavras não ditas

Pelas palavras que ainda surgirão
Promessas de amor ou rompantes de razão
Já não se sabe mais o que pronunciar
Cada palavra pensada
É outra deixada no ar
Pelas palavras que ainda não balbuciei
As que esqueci, as que escondi, as que 'inda hei
De um dia quem sabe revelar...
A todas elas... por todas elas...
Espero o tempo correto, exato
Pra falar... ou então...
Calar se for preciso
Num olhar, numa lágrima
Ou, melhor ainda... num sorriso.
Thais Carvalho
quinta-feira, 20 de maio de 2010
Breve Despedida
Já amanheceu aqui, nesta terra distante que é meu quarto. Nesse quarto vazio de ti. Já amanheceu e eu não durmo, por esperar esse amanhecer frio que me traz remotas lembranças de um tempo só teu.
Há tanta força aqui, não vê? Há carinho e cuidado, há o sopro eterno do amor que lhe dedico assim, à distância, essa distância breve e avassaladora que impus para não te perder em definitivo. Há o perdão pelas palavras duras que disseste, sei o que te assola, conheço teus caminhos. Como haveria de não perdoar? Há dores imensas, ora, aceito a condição humana. Mas há um bem-querer de sempre, a ti e a mim. Há sempre fé.
Pequenas magias, eu sempre disse, lembro-me com clareza. Sinto teu sorriso antigo como se fosse de ontem, por que te escondes? Sai desse canto obscuro, vem caminhar comigo em silêncio. Vem ver quanta vida tem lá fora e aqui dentro de mim. Não te prives de mim, é o que te peço em súplica rascante. Mas não me devaste o peito assim, sem reserva. Não te insurjas contra mim com o peito aberto à morte e a face aberta ao tapa. Não me venhas como animal sangrando de feridas velhas. Tampouco me julgues por buscar verdade na vastidão do meu coração. Sei a medida exata dele, aqui não há sobras.
Amor meu, deixemos de nos lanhar por alguns pequenos instantes, para que a Divina Providência me mostre que não lutei por guerras vencidas, de tempos imemoriáveis. Para que eu saiba que meu prêmio de consolação não há de ser o desapego. Não, não estou a abandonar-te, nem a mim mesma, estou deixando em suspenso aquilo que me é mais caro, o tempo nosso, paro o tempo no tempo em que ainda temos um ao outro, antes que a chuva termine por levar de nós o que é só nosso, antes que deixemos de ser só um...inelutavelmente.
Amado amigo amante...vou me deitar à sombra. Aceite essa breve despedida. Fecho as cortinas agora, mas deixo para ti uma fresta da minha alma. Deixo sobre o balcão a melhor parte de mim, com o aviso de sempre: manuseie com cuidado, existe vida aqui dentro.
Escrito em setembro de 2007
quinta-feira, 13 de maio de 2010
conto
Ele a olhou nos olhos e disse “eu era como um pássaro, estava sempre a voar livre sem nenhum vínculo com a terra, mas depois que te conheci, as minhas asas passaram a ter somente uma direção, que é voar sempre para você, assim como meu coração”.
As lágrimas corriam em seu rosto, como ladrões no camuflar da noite esperando o momento certo para atacar. Ela sabia que a única forma dele a deixar, seria lutando em uma guerra, sabia que cedo ou tarde, aquela guerra poderia alcançá-la, logo, ele jamais permitiria isso.
Aqueles passos em direção a porta eram escoltados pelas batidas fortes do coração dela, era desesperador ver a única pessoa de sua vida partir, era como de repente acordar sem metade do corpo.
Quando ele abriu a porta, ela não agüentou. Correu como uma criança perdida que acaba de encontrar seus pais em meio a uma multidão. E o abraçou, entranhando suas unhas no grosso casaco, apertando suas pernas nas dele, juntando cabeça com cabeça numa perfeita união de corpos, que só acontece no abraço.
Numa ultima tentativa desesperada ela disse “você já perdeu essa guerra, pois quando você sair por esta porta, eu já estarei morta. Se você pretende morrer por mim, que seja ao meu lado me protegendo e assim, se o inimigo o acertar, estarei pronta para ir junto com você”.
Ele deixou a arma cair, e um vento forte e impetuoso entrou escancarando a porta rente aos dois, ambos olharam para aquela cena. Aqueles longos e lisos cabelos loiros aterrissaram sobre os olhos vermelhos de dor, cobrindo uma parte do medo que ali existia.
Ele olhou durante algum tempo para o que tinha além daquela porta, ainda sentindo o corpo da sua amada no seu, virou o rosto de encontro ao dela, tirou gentilmente aquelas mechas loiras revelando lindos olhos castanhos, a beijou como nunca havia beijado antes, e em seguida, fechou a porta e tudo que havia fora dali não era nada comparado ao que ficara dentro daquela casa.
Trecho tirado de um conto que escrevi em 2007
terça-feira, 11 de maio de 2010
Anedotas de um momentâneo desventurado outrora amado II – Reduza a velocidade do querer bem
Os relacionamentos vanguardas seguem o esquema da pirâmide invertida, com lead e tudo mais. Vem tudo logo no começo. Cariños, besos, sexo dos deuses, telefonemas não atendidos, tédio, brigas e término, tudo no primeiro parágrafo dessa matéria. Cabou-se o amor literário. Não se fazem mais histórias amorosas complexas. Tudo que tem pra acontecer, acontece numa lapada só.
Sem saber como, todos os dias temos várias quebras de recordes em velocidade entre o primeiro olhar coisado e a primeira DR. Fica claro que estamos lidando com o dopping da objetividade. A queima da largada do afago. Que pecado...
Minha linda e meu camarada, vos digo: chega dessa pressa. Curtam com mais demora a fase do frio na barriga por não saber o que se passa na cabeça do pretenso cônjuge. Vivemos um dá ou desce do coração tão desnecessário quanto estúpido... Vá devagar, devagarinho como diz o sambista.
Até entendo o porquê desse arreto todo em busca do amor da vida inteira. É bom e queremos logo. Mas cuidado, pois tal qual um carro a 160km/h nas curvas da estrada de Santos, quando se puxa o freio de mão da decepção, a capotagem sentimental é inevitável.
domingo, 9 de maio de 2010
O Calendário
Ganhei um belíssimo calendário, fruto de uma viagem que uma amiga fizera a África. Seu presente decora a pálida parede amarela do meu quarto e o formato requer que todo mês eu vire sua página verticalmente, e mude a foto ilustrativa.O fato é que essa mudança está sendo cada vez mais rápida. Em instantes o filhote de leopardo deu lugar ao gigante elefante, e não me lembro de em nenhum momento ter consultado o fim de semana de lua cheia, ou que dia era 14.
O exercício de escrever sobre coisas tão complexas (e que de antemão me considero ignorante) como relacionamentos, paixão, amor e a busca da felicidade, tem me feito desenvolver uma qualidade essencial: a atenção.
O estado de alerta está acionado! Vejo os detalhes das mãos dadas, a resposta ríspida do casal em crise, as premonições dos especialistas em relação alheia, a beleza do romantismo na praça, os dias que passam voando, e observo ainda, com ar de desaprovação, a senhora Rotina com sua fantasia de morte.
Mas o alerta tem andado junto com a paciência, com a sabedoria adquirida de que tudo, de uma forma ou de outra, acaba se ajeitando, de saber que as soluções fáceis não existem e que cada minuto tem seu valor.
Ao perceber que tudo é feito de pequenos grandes detalhes, faço a opção de digitalizar cada pensamento, memorizar intenções e tentar de alguma forma transmitir emoções. Não posso prever quanto tempo durará esse estado de alerta, ou até quando cultivarei a sábia paciência, mas ao compartilhar idéias, aprendendo a utilizar os mais variados métodos e linguagens, tenho a impressão de que presencio, na verdade, um estado de espírito.
Nesse instante volto ao calendário, e folheio as figuras dos meses anteriores, por sinal, todas muito belas e diferentes. Descubro assim, que por mais que a velocidade do tempo me assuste, nada impede que eu recapitule os meses anteriores, admire, e logo após volte ao presente.
