sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Tratado Geral do Ciumete – Parte I


Quando Deus criou o amor, virou pro diabo e disse: - Faça melhor, que eu duvido. Foi aí que, movido pelo sentimento de vingança que o Coisa Ruim resolveu criar, só para fulerar, o ciúme. A partir dessa arenga celestial, nos vimos reféns dessa hidra mitológica. E não tem jeito. Já ouvi de várias bocas que “Isso é coisa que eu não tenho” ou “É um mal exclusivo de gente insegura”. Olhe lá que não é, viu...

Apesar de todos aqueles que vivem abaixo desse céu azul serem vítimas em potencial do sentimento de posse hiperbólica, nada justifica algumas das burradas e trapalhadas que fazemos por essa razão. Mas mesmo assim os juristas, ô raça mancomunada com o idealizador do ciúme, resolveram arrumar a desculpa esfarrapada do crime passional. Cornos free! Que me desculpem os galhudos, mas pra mim essa desculpa não cola.

Mas há aqueles que defendem a existência dos ciúmes saudáveis, assim como o colesterol do bem. São os advogados da teoria que uma colher de chá de ciumete aliada a uma dose boa de bom senso, apimenta na medida certa qualquer bem-me-quer dessa vida. E faz melhorias na hora do entrave sexual. É, acho que dou a mão à palmatória para estes. Não tem como negar que aquele beslicão na coxa desferido pela sua parceira após passar alguma mulher monumental dói absurdos no corpo, mas até que é gostosin pra alma...

Foto enviada pela Larissa Castro, ou @eugostodeuva no Twitter. ¡Gracias, mujer!

FRÁGIL, FRACO?!


Existe uma questão digna de fazer perder algumas noites de sono, embora eu ainda não tenha conhecido ninguém que tenha deixado de fechar olhos por causa disso. Ela é suscitada pela clássica frase que considera a mulher, o “sexo frágil”.

Mas como assim?! E todas aquelas tramas “Machadianas” como a de Dom Casmurro evidenciando um conflito entre melhores amigos, as filhas “roubadas” nos seringais, pais conservadores que escolheram a morte para proteger, sobretudo as mulheres da casa, as declarações freudianas de que a mulher provoca o homem à repetição (que poder hein!) a grande Mãe Terra representada pelo gênero feminino e milhares de outros fatos, casos e acasos que poderíamos gravar aqui e esgotar os caracteres deste post.

Podemos nos perguntar “que mulher é essa que nos faz perguntarmos a nós mesmos: “O que é ser Homem?”. Ahhhhh! mulheres maravilhosas deste Brasil nem tão varonil assim, perdoem nós homenzinhos!!! A mulher é o SEXO FORTE!

Obs: O autor da imagem é Boris Valejjo (sul americano que desenhou algumas capas da revista Conan O Bárbaro).

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

She

O cabelo molhado, a pele hidratada e suave, o biquinho sem propósito, o encostar-se ao peito, o sorriso gratuito, as conversas divertidas, a ligação inesperada, o almoço pretensioso, eis a criatura perfeita, a saber: A mulher.

Admitimos, somos “mulherengos”, mas não no sentido pejorativo da palavra, daqueles que tem um “rolo” em cada bairro, a questão é que são muitos os detalhes artísticos da criatura que teve um protótipo (o homem) antes de sua criação, e somos grandes admiradores das belas artes.

O design arrojado não permite comparações, seus cheiros foram produzidos nos mais misteriosos laboratórios do submundo dos jardins suspensos do Édem. Somos incapazes de compreender tamanha complexidade, mas a gente até que se esforça.

A gente se esforça mandando flores ou depoimentos no orkut, com umas até dá certo, já outras nos chamam de piegas. A gente se esforça tentando parecer inteligente, falamos de filosofia e coisas do gênero, às vezes pouco adianta, afinal, elas têm o domínio de qualquer situação.

Somos fãs de mulher e, exceto daquelas com erro no cromossomo 44, fazemos tudo por elas, até inventamos elogios moderninhos como esse de um revendedor de automóveis, “Se essa fosse um carro, com certeza era um corolla.”

Mas há sempre a obra de arte da qual não admitimos comparações, que ficamos bestializados olhando intactos para seus caprichos e poetizando seus aromas. E essa figura iluminada passa a ofuscar todas as outras na galeria dos belos romances. E a essa dedicamos este post.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Falando de amor...


É mais um papo mulher para mulher, mas não é restrito somente a elas. Você, homem, também poderá sentar e escutar o que tenho a falar. Ok. Vamos começar.

Desde criança, nós meninas somos induzidas a sonhar com o príncipe encantado. Aquele que abre a porta e nos espera passar primeiro, que puxa a cadeira para podermos sentarmos e que nos mande flores. O cara dos sonhos tem que ser alto, ter olhos azuis, loiro, um corpo bem feito, que faça todas as nossas vontades e que aceite nossas ideias sem contestá-las. É como se montássemos um quebra-cabeça de acordo com nossos gostos. Peças perfeitas se encaixam em uma imagem perfeita. Engraçado que nós mulheres, nunca pensamos em um homem feio (vale ressaltar que o conceito de beleza é relativo), mas que seja gentil, educado e inteligente. Sempre achamos que podemos encontrar tais características no maior e mais bonito frasco. Oi, ilusão! O mundo desaba quando vemos que as coisas não funcionam bem dessa forma.

Apaixonamo-nos pelo concreto, o que se pode enxergar e tocar, mas amamos o abstrato, aquela coisa chamada personalidade, que define a essência pessoal de cada um. Não adianta idealizarmos e muito menos montarmos o caráter de quem queremos amar. O amor é mestre na arte de pregar peças em nossos destinos. Ele não existe para cumprir nossas exigências e caprichos. Simplesmente nos ensina a ver além do que nossos olhos podem mostrar.

Não adianta procurar, tentar, forçar ou escolher alguém que tenha os critérios que tanto idealizamos. Às vezes, o príncipe encantado está dentro de qualquer pessoa, alí guardado, esperando que alguém o encontre e não do lado fora, como muitas acreditam. Amor não é escolha, apenas acontece. Não se imagina, se encara. Para ele não importa beleza, classe social e distância. Caminha junto com a razão. E se não caminhar, é porque não é amor. É apenas paixão.

domingo, 8 de novembro de 2009

Uma história que deu certo*

Por: Juliana Lofego**


"Quem um dia ira dizer que existe razão
nas coisas feitas pelo coração.
E quem ira dizer que não existe razão?"
Renato Russo- Legião Urbana


Eduardo e Mônica se conheceram na Olimpíada Universitária de Minas Gerais, em setembro de 1973. Mônica participava da equipe da Universidade Federal de Viçosa, onde cursava Matemática. Quando assistia a um dos jogos da competição recebeu uma carta de seu namorado, que morava em Uruguaiana (RS). Leu, saiu do estádio, comentou com as amigas e, antes de voltar para ver o jogo, comprou pipoca. Eduardo se aproximou, pediu pipoca e conseguiu. O namorado virou "ex" e Eduardo conquistou o coração de Mônica. Começaram a namorar.

Eduardo tinha 25 anos, estava no último ano de Odontologia e morava em Belo Horizonte. Mônica, com 19, ainda estava no início do seu curso e morava com os pais em Viçosa. O namoro logo virou noivado e a pressa na decisão de datas para o casamento não agradou a família da noiva. Os pais de Mônica queriam vê-la formada e as negociações foram atrapalhadas pelo "pavio curto" de Eduardo. Fim de namoro. Mônica não quis arranjar briga com a família. Os dois não se viram mais.
Eduardo mudou-se para Brasília, casou e teve três filhos. Mônica terminou o curso, casou, teve dois filhos, morou em Santos, Ouro Preto, Belo Horizonte e voltou para Viçosa.

Em 1988, Mônica recebeu um telefonema do irmão de Eduardo, que conseguiu o telefone ligando para sua antiga casa. Ele se identificou para a mãe de Mônica como sendo um amigo de BH e recebeu a ficha completa. Na ligação, ele disse que Eduardo estava impressionado com um sonho que tinha tido com ela, que lhe parecera muito real. Ao perguntar da data do sonho, Mônica se assustou: "Na quinta-feira? Foi no dia em que me separei do meu marido!" Ela pegou o telefone de Eduardo em Brasília e ligou. Eles continuaram se falando e se correspondendo. Eduardo estava também separado de sua esposa e morando sozinho.

Alguns meses depois Mônica precisou ir a Belo Horizonte e Eduardo decidiu ir também. Depois de 14 anos sem se verem, os dois se encontraram num bar e, para surpresa de Mônica, ele levou uma pasta repleta de correspondências, fotos, poesias e recordações do tempo de noivado. Reataram o namoro e se viam sempre que podiam. Durante este tempo, Eduardo montou uma segunda pasta de recordações, com outras tantas cartas e fotos, e incluiu algumas contas de telefone (Viçosa, Viçosa, Viçosa) com uma media de três paginas, constando ligações de até quatro horas de duração.

Mônica mudou-se para Brasília em 1989 e foi morar com Eduardo. Hoje, a família está um pouco mais crescida. Dois dos três filhos de Eduardo estão morando com eles (com idades entre 13 e 18 anos), que com os dois de Mônica somam quatro (com 13 e 14 anos). E eles tiveram mais dois filhos depois do casamento, atualmente um está com um ano e oito meses e o outro com 3 meses. Para completar o conto de fadas: eles estão juntos e felizes para sempre.

*Esta matéria foi publicada em junho de 1994 no suplemento de dia dos namorados do Campus, jornal laboratório do curso de Comunicação Social / Jornalismo da Universidade de Brasília. O texto atual sofreu uma pequena edição. Como esta é uma história real, os nomes foram mudados a pedido dos protagonistas para preservar a intimidade da família.
** Juliana Lofego é Professora do Curso de Comunicação Social/Jornalismo da UFAC

sábado, 7 de novembro de 2009

Estação


Chegou, sentou-se ao meu lado, indagou as horas. Parecia tarde, mas ainda era cedo. Calou-se. Depois, inquieto no silêncio, puxou assunto. Eu, a contragosto, respondi pouca coisa. Desde pequena aprendi a não falar com estranhos. Mas, depois de alguns minutos, já não me parecia tão estranho assim.


Resolvi perguntar seu destino. Confesso que, tentando lembrar agora, acho que nem entendi muito bem pra onde ele estava indo. Só sabia que ele estava ali, e isso já fazia todo o sentido. Horas se passavam, conversas infindas, e o trem não chegava... Esperara tanto, mas naquele momento o que eu menos queria era partir. Trocamos endereços, telefones, e-mails... acabávamos de nos tornar amigos de infância! Tantas coisas em comum... rimos juntos de pensar que parecíamos personagens de um filme. Protagonistas, pra ser mais exato.


Contou-me um resumo de sua vida, perguntou da minha. Mais coincidências! Quem quer que fosse, vendo-nos assim juntos rindo da vida, concluiria que nos conhecíamos há muito tempo. Era só química? Não sei. Nossas conversas giraram ainda pela geografia, matemática, música, literatura...


O tempo (nosso algoz!) tratou de passar rápido. Foi quando me surpreendi com ele me dizendo que não queria mais partir. Havia mudado o plano. Era possível adiar um pouco mais. Estava tão bom ali na estação. Sorri. Mas sabia que em breve o meu trem chegaria e tive dúvidas do que eu deveria fazer. E tive certeza que não era só mais um encontro. Éramos muito bons juntos. E, do nada, isso parecia nos bastar.


Entretanto, como todo filme tem um final, feliz ou não, o trem dele chegou antes que o meu. Ele, encabulado, disse que pensando bem era melhor partir aquela hora. E eu concordei meneando a cabeça, e sorrindo amarelo. - Eu te ligo! - Não, eu disse, deixa que eu te ligo... Deixa que eu te ligo...


Deixa... e foi assim, deixando-me, esse estranho conhecido, que eu percebi que o meu trem ainda demoraria muito pra chegar. Percebi que ele não ligaria, eu muito menos. E ainda estou aqui, aguardando o próximo trem. O verão passou, o outono também, o inverno chegou... e espero, ansiosa, que as flores se abram logo, e me tragam o colorido que sumiu!



Thaís Carvalho.
(uma genial amizade de Cuiabá -MT) =)

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Da Série: Duas músicas, uma mensagem

Os Barcos – Legião Urbana

Você diz que tudo terminou
Você não quer mais o meu querer
Estamos medindo forças desiguais
Qualquer um pode ver
Que só terminou pra você

São só palavras teço, ensaio e cena
A cada ato enceno a diferença
Do que é amor ficou o seu retrato
A peça que interpreto, um improviso insensato
Essa saudade eu sei de cor

Sei o caminho dos barcos
E há muito estou alheio e quem me entende
Recebe o resto exato e tão pequeno
É dor, se há, tentava, já não tento
E ao transformar em dor o que é vaidade
E ao ter amor, se este é só orgulho

Eu faço da mentira, liberdade
E de qualquer quintal, faço cidade
E insisto que é virtude o que é entulho
Baldio é o meu terreno e meu alarde
Eu vejo você se apaixonando outra vez

Eu fico com a saudade e você com outro alguém
E você diz que tudo terminou
Mas qualquer um pode ver
Só terminou pra você

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Vida Vazia – Bruno e Marrone

Depois que você foi embora
A solidão entrou, trancou a porta
E não me deixa mais...
Eu já tentei sair, tentei fugir, não consegui

Eu já não tenho paz...
Até o meu sorriso é tão sem graça
Não há nada que desfaça
Essa tristeza em meu olhar...
O que é que eu vou fazer prá te esquecer?
O que é que eu vou fazer prá não sofrer?

O que é que eu faço prá você voltar prá minha vida?
Vida vazia, saudade sua, dia nublado, vento gelado
Noite sem lua
Vida Vazia de sentimento
Noite sem sono
No abandono eu não aguento...

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Um post romântico...



Você conversa com alguém todos os dias, mas nunca tem contato físico e nem visual. Conversam por msn e às vezes por celular. Aprende a gostar dele. Papos descontraídos rolam até o ponto alto da madrugada. Ele te acalma e faz cada pedaço de seu ser sorrir. Incrível!

Faz pouco tempo que o destino os apresentou, mas é como se vocês se conhecessem desde muito tempo. A distância tinha tudo para ser o maior problema entre os dois, mas isso não ocorreu. Os quilômetros parecem diminuir cada vez que se falam. Você sente a ausência dele e passa até a se preocupar. Começa a perguntar como foi o dia e o que andou fazendo de interessante, não por delicadeza, mas sim por se importar com essa pessoa. Gosta apenas de ouvi-lo, pois seus problemas desaparecem. Não quer dividir tristezas, apenas a felicidade que ele te dá sem cobrar nada.

No dia em que não escuta a risada dele, um desconforto toma de conta de seus pensamentos. Não importa a tormenta que sua vida estiver passando, nem seu humor inconstante, as incertezas que aparecem no caminho, ele estará presente em todos os momentos. Afinal, de quem será que falo? Simples, amigos. Uma das mais sublimes forma de amor. Eu encontrei um em especial, em meio de tantos. E você? Já encontrou o seu?

Fique rico no capitalismo amoroso


Meus caros amigos. Cada vez mais ligado nessa coisa chamada internet, pretendo em breve, fazer o registro do site: http://www.vontadedoidadetever.com.br/, esse link tem a intenção de abrir portas além da Word Wide Web, com serviços de GPS, previsão de tempo atualizada, farmácia online, identificador de celulares desligados, entre outros serviços que minarão qualquer possibilidade da “desculpinha esfarrapada” da pessoa amada. Ela não vai resistir.


Procuro sócios para esse empreendimento emergente, e pode apostar que a lucratividade é certa, afinal de contas, desculpa esfarrapada é igual comida, ninguém vive sem. Vai desde o “Já estou dormindo” (como se dormindo fosse possível elaborar tamanha saída à francesa) até o “está caindo um dilúvio aqui”. Será uma revolução cultural, algo comparável ao buscador Google para estudantes, uma ferramenta!


A partir de agora entraremos na etapa de alimentação do BDD (Banco de Dados de Desculpas), conto com suas colaborações e depois traremos mais informações. Um abraço. À direção.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

NOITES PROMISSORAS

Sabe aquelas noites promissoras onde tudo indica que a garota mais bonita da festa vai ficar com você, que a cerveja desce redondo, que o set list de músicas parece ter sido elaborado a partir de suas próprias idéias e que o tempo não existe? Pois é, caí numa peça pregada por esse tipo de noite com bom prognóstico. Comecei a noite na melhor mesa, na melhor companhia, na melhor cerveja e no melhor repertório, quanto a isso não preciso entrar em pormenores para não ser redundante e chatear algumas pessoas.
Vamos ao que realmente interessa, aos fatos ocorridos posteriormente. A certa altura da noite escapo por um passo de uma grande confusão daquelas de varrer o salão e parar a música. Gladiadores se enfrentando pelo sei lá o que - mas, ufa escapei- nada mal né? Me deparo com um sujeito sentado e assoprando uma gaita solitariamente sem nexo nenhum e não sendo o bastante a produção do descordenado e incômodo barulho afirma que representa o Estado no programa Ídolos (mais um daqueles programas que o Silvio Santos comprou ao estar bêbado), respondi mentalmente: “E o Kiko?” Sem querer me percebi encostado na mesa de alguns conhecidos, que como cowboys detonavam uma garrafa de uísque importado “paraguaiense”.
Acontecido o reencontro e feitas todas as devidas apresentações, hospitaleiramente me ofereceram a bebida a qual foi recusada prontamente, conversa vai, conversa vem, um dos “cowboys” sentindo-se ultrajado pela recusa tenta me forçar a beber, e eu digo: “mulher e bebida até se misturam, têm variedade, mas não descem de qualquer jeito”.

sábado, 31 de outubro de 2009

Dicas de um bom papo



Temos vagas abertas para o projeto de uma vida.
Com esse anúncio no outdoor da ladeira da maternidade, Arthur de Távora colocou seu projeto de vida à disposição para a tampa da sua panela. Como ainda não a conhecia, ousou colocar algumas observações em letras miudinhas no cantinho do anúncio.
“Preferencialmente com um belo sorriso, disposição para aventuras, pensar por si mesma e inquietude. Interessadas entrar em contato através do acaso: por amigos em comum, no supermercado, no tacacá do final de semana, show de rock ou no Happy Hour das sextas-feiras”.
Muito inteligente essa propaganda do nosso amigo Arthur. O blog entra na moda e daqui por diante dará sugestões de lugares ideais em Rio Branco, para que as interessadas encontrem seus Arthur’s, e carametades afins.
“Dicas de um bom papo” é o espaço destinado à divulgação (gratuita) dos bares (melhores, piores e quebra-galho), restaurantes, e dois e quarenta e noves dessa nossa pacata Vila Rio Branco. Continuem aqui.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Do direito ao silêncio


O que? Vocês terminaram?
-sim

Mas vocês se davam tão bem, ainda vão voltar.
-Não

Mas você ainda gosta dela, não?
Nesse momento, você obviamente tem duas respostas possíveis: sim ou não.
Entretanto, jamais falará a verdade, observe:

-Sim, gosto.
Será mesmo? Acho que se gostasse de verdade já teria ido procurá-la.

-Não, não gosto.
Será mesmo? Acho que um amor de tanto tempo não acaba assim do dia pra noite.

Lutemos por nosso direito constitucional ao silêncio!

Pedinte


Amor é um direito que depende de escolha. Eu não tive escolha. Repare só nesse entrave sociológico-sentimental que vivi. Pra começar e fazer com que você me entenda, é preciso abancar a história não só pela primeira página, mas pela capa.

A culpa não é de ninguém. É culpa sem dono. Pensando bem, talvez se meu pai não tivesse brigado com o Agenor Castilho, seu antigo sócio e que três anos após desfeita a parceria, tornou-se o mais bem sucedido empresário do ramo de luvas de borracha, hoje eu estaria com outra vida. Aí sim, ela repararia em mim. Não me importa se por interesse ou não, eu seria feliz com ela.

Eu a vi antes. No começo, nada de mais me chamou a atenção. Continuei com a mão estendida, já pela segunda hora seguida, em busca de mais 85 centavos que inteirara minha quarta “granada” – modo como é conhecida a “Caninha da Roça” entre meus colegas de trabalho. Foi aí que ela veio até mim. Deu-me uma moeda de 25 centavos e duas de 10. Insuficiente em relação a minha meta anterior, mas muito além do que eu esperava. Disse: “Pega, seu moço.”, e eu automaticamente repliquei com “Deus te abençoe.” Ela foi embora, sem saber que eu não falei retoricamente. Era sincero. Era amor.

Por baixo dessa barba e cabelos com medidas além da conta, existia um menino tremendo como vara verde só de recordar dos olhos azuis, quase cinzas, que insistiam em abusar do contraste com o cabelo ruivo e as sardas. Ela nem reparou quando minha boca ficou aberta e minha mente fez a volta ao mundo cinco vezes em 3.1 segundos. Normal. Quem faria diferente?

A repetição dessa cena se deu pelos meses seguintes. Deu pra reparar que ela gosta de vestidos floridos e perfumes adocicados. Não usa jóia e prefere sapatos sem salto. Tem furinho na bochecha quando ri e um olhar imperceptivelmente vesgo. Deu pra reparar...

Depois de muito tempo, ao comer um pão com manteiga com um pingado na padaria do seu Abraão, encontrei de bobeira uma matéria sobre um trabalho de caridade. Já vi vários desses, mas algo ali me deixou um tanto quanto triste. Na matéria havia uma foto com a seguinte legenda: “Há 7 anos, Irmã Elizabeth chefia trabalho de caridade com doentes terminais sem família”. Ela ficou tão bonita naquele retrato...

Não tenho o hábito de cultivar pena de mim mesmo, mas até que não resisti. Foi então que resolvi usar meu último recurso. Peguei as moedas que ela me deu – não havia gastado nenhuma sequer, apesar de muitas vezes ter passado fome por essa razão – e comprei o mais bonito buquê de flores. Eram silvestres, mas não sei o nome delas. E ela passou de novo. Quando estendi a mão, ela já foi procurando na bolsa alguma esmola. Nesse instante apresentei as flores e dei para ela. Ela corou e riu. Com o mesmo furinho na bocheca...

Namoro-Fantástico*

Por que as pessoas acham normal ter ou ser posse de outra pessoa? Até hoje não consigo entender aquelas situações em que um casal briga por alguma bobagem qualquer e, pelo menos, uma das partes não chega e diz: "-Por que nós não nos encontramos apenas quando estivermos bem?, e Por que ficar mantendo uma relação de estresse e rotina?".

A conclusão que posso tirar, de todas as experiências que vivi e as que me confidenciaram, é que o ser humano é carente de atenção e sente a necessidade de ser o(a) mais importante personagem na vida de alguém. Em busca desse alguém, nós acabamos por admitir as situações mais absurdas. Fazemos chantagens, manipulações, invasões de privacidade etc. que só nos deixam mal.

Mas depois de dias, meses e, até mesmo, anos refletindo sobre esse assunto, cheguei à solução: namorar somente nos domingos. É claro!!! Oras, se é óbvio que nós todos precisamos de um tempinho para nós mesmos, não há por que insistir, tentando tornar eterno um pequeno momento.

Atualmente, as pessoas levam uma rotina muito agitada. Você estuda e trabalha durante o dia inteiro e ainda tem que bancar o super-herói, tendo que arranjar umas horas pra namorar. Não estou dizendo que namorar é ruim - muito pelo contrário - você ficar com a pessoa que você escolheu é a melhor coisa que pode acontecer. Mas você vai estar em condições para ser você mesmo? E será que ela também vai estar? No domingo sim!

E se você tinha uma vida agitada quando era solteiro... Como não sentir aquela vontade de sair com uns amigos, sem ter a obrigação de agradar a ninguém?

Quando me refiro ao domingo, não quero dizer especificamente ao domingo. Estou fazendo alusão a um relacionamento em que as duas partes não têm obrigação, mas sim, um prazer de ficar juntos. Se o domingo cai na segunda, na sexta ou todos os dias, tanto faz, o importante é você estar feliz (e por que será que isso soa tão ridículo?). Como diz o Dalai Lama: "O apego é cheio de parcialidade. O amor e a compaixão são imparciais.", ou seja, seja livremente feliz.

*Texto escrito em 2004, ou seja, tinha 19 anos. Alguns pontos e reflexões contidos nele já não são os mesmos para mim. Mudei, mas é interessante ler como eu pensava. Deixo para vocês avaliarem se estava certo ou errado.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Quando não se tem muito tempo para fazer crônica

É sempre a mesma coisa, o professor pede um trabalho e o aluno hiper-ocupado, eu, se aterroriza (mesmo que não pareça) com sua escassez de tempo para fazê-lo, a dúvida passa a ser se acordará mais cedo amanhã ou emenda numa madrugada qualquer à base de coca-cola e bolachas cream cracker.

A bola da vez é fazer uma crônica, inspirada em outra de autoria nada mais nada menos, que Arnaldo Jabor, que possui além das suas excelentes crônicas próprias, outras inúmeras boas crônicas não-próprias, ou seja, alguns desocupados (que de antemão eu os invejo) escrevem sobre diversos assuntos, e usam principalmente na internet a seguinte estratégia de circulação: colocam o nome Arnaldo Jabor no final.

Resolvi então me inspirar nessas pessoas (as que eu invejo), que apesar de talvez não possuírem a pressão de uma faculdade noturna, produzem e simplesmente doam a autoria para o “mago” Arnaldo Jabor. Esse capitalismo é mesmo muito injusto, o Arnaldo Jabor não precisa de crônicas! Eu sim! Já que não tenho tempo cronológico (sacaram a dubiedade?) para fazê-la.

Resolvi então criar a campanha: “Doe Crônica! Doe Vida!”, para sensibilizar todos do grupo CNO (cronistas não ocupados) para que colaborem com os estudantes de jornalismo, e deixem de encher a bola do “Arnaldão” com crônicas que ele nunca pediu. Logo após o lançamento da campanha, serão espalhados postos de coletas (clandestinos), com identificador de professores e baterias anti-google, para maior segurança dos alunos hiper-ocupados. Participe! Sensibilize um CNO, e ganhe desconto de 10min de atraso na disciplina que preferir.

Com a certeza do apoio da maioria, desejo a todos boa sorte! “Doe Crônica! Doe Vida!” Ah! daqui por diante sou Arnaldo Jabor, e como vocês sabem, a minha inteligência e sagacidade não permite que eu escreva bobagens, na verdade permite sim, mas como sou o Arnaldo, essa bobagem fará você refletir e pensar, e então não será mais tão bobagem assim.

Ah! O romantismo virá... aguardem! =)

domingo, 25 de outubro de 2009

Noites despretensiosas

As aventuras e desventuras de um modesto rapaz em baladas noturnas

Risos sem motivos. Ou melhor, com muitos motivos. O bar era perfeito. Um pub, daqueles com personalidade forte. Sobre o som? Ah, o som era exatamente como devia ser. Duas bandas, uma com as melhores coisas feitas por nossas bandas tupiniquins e outra com tudo melhor já feito. Beatles, mais Beatles, mais Beatles ainda, Rolling Stones, The Temptations, Kiss (isso mesmo, Kiss! Foi complicado segurar a lágrima), Deep Purple etceteras mais etceteras que, injustamente, resumi em "etc.’s".

As companhias eram precisas. Não podiam ser outras. Cada um se completava. Eu fazia o "louco que cantava todas as músicas, bebia além da conta e puxava conversas com tons sarcásticos até a medula"; Regis era o "cara que nos empolgava com piadas e sacadas de dar arrepios, o cara do ‘time’"; e a Mayara "nos completava com uma feminilidade sem frescura, bom humor e bom gosto pra cervejas". Parecia que havíamos saído das linhas escritas por algum bom dramaturgo. A mesa era, estrategicamente, a do canto. Óbvio que não podia ser outra, afinal de contas, de lá tínhamos a visão de todo o bar. E todos nos fitavam. À minha esquerda estava a banda, à direita o bar, mais à direita ainda a mesa de sinuca (posicionada no alto de uma escada traiçoeira) e no meio estava ela: a loira.

Tratava-se de um legítimo exemplar de "mulher madura", daquelas que parece saber com três dias de antecedência o que você pode pensar. Impossível não se sentir atraído. Nós, homens, sentimos uma profunda atração pelo incontrolável. Vai saber como isso se deu nos milhares de anos que fizeram nossa espécie descer das árvores e partir para a mesa do bar da esquina... Mas voltando, o baixista da segunda banda é amigo do Regis e passa o relatório digno de FBI, CIA, KGB e outras siglas que você nunca saberá o que significa: professora de inglês nas horas vagas e dona do imaginário dos alunos em tempo integral.

Aquilo estava além das minhas capacidades. Desisto da utopia de cara, sem nem mesmo tentar. Não se tratava de covardia, apenas avaliei que não valia a pena arriscar um pouco a noite excepcional com delírios pouco prováveis… Além do mais, havia um indivíduo sentado ao lado dela que fazia uma marcação individual duríssima, lembrando aqueles beques “cabeça de bagre” do antigo futebol, apesar do semblante de fracassado.

Dilemas

O papo na mesa era algo fora de sério pela sintonia espontânea dos seus integrantes. Lembro que eu estava, mais ou menos, entre terceiro ou quarto gole do terceiro copo, quando ela me encarou. Retribui, é claro. Como se fosse um nocaute em uma luta de boxe, iniciei a contagem. Cheguei aos dez quase sem fôlego. Mayara me disse que os olhares dela já estavam me buscando há algum tempo. Era difícil de acreditar.

Mantivemos a troca de olhares, com alguns acenos com o copo insinuando brindes por uns longos instantes. No entanto, não deixávamos de dar atenção aos nossos parceiros de mesa. Aquilo era charmoso. Tive que fazer um esforço descomunal para segurar minhas pernas que insistiam em afirmar o quanto eu era um imbecil por não ir lá e puxar um assunto.

Porém, a maior dificuldade em se acreditar não era pelo interesse dela, mas pelo meu remorso. Estava com um baita receio de fazer algo logo no dia do aniversário da minha, na época, namorada. É engraçado como certas situações só acontecem quando você não espera e, de certo modo, não quer. Sempre achei que destino combinava com ironia, mas aquilo já atingia o nível de absurdo! Fui para outra cidade fazer um concurso e, assim, tentar um emprego melhor, e acabei em um conflito ético.

Às vezes me pego pensando em como agimos na forma de duros censores sobre nossas próprias vontades. Não sei de onde consegui escrúpulos para não cair em tentação, mas o meu palpite favorito é que foi graças aos meus amigos mais íntimos no dilema daquela noite, ou seja, os copos de cerveja que me acompanharam até momento da prova no outro dia…