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terça-feira, 18 de outubro de 2011

Sobre relacionamentos não vividos


Procrastinar tem sido uma válvula de escape da maioria das pessoas que eu conheço. Imaginar como tudo vai ser, sem ao menos ter uma base das possibilidades do que desejam, acontecer. Parece que quanto mais você quer, menos será possível conseguir. Imagino que 99% de toda a população terráquea já teve algum tipo de devaneio sobre como seria se tivessem coragem de entregar-se para os sentimentos sem pensar demais nas consequências. Mas aí vem o ponto chave dos que criam uma dimensão paralela, e dos que não fazem ideia de estarem sendo ''usados'' em vontades oprimidas - e/ou reprimidas. A grande diferença é simplesmente a racionalidade e o sentimentalismo de ambos - o que deseja, e o ''objeto'' de desejo.

Geralmente eles são completos opostos e , talvez exatamente por isso, não concretizaram-se como possíveis companheiros amorosos.Relacionamentos não vividos são mais complexos que casamentos.
Tanto porque causam aquela ansiedade de ter a pessoa perto e vendo uma aparente estabilidade feliz, tanto pela dependência de imaginar como teria sido se fulano tivesse arriscado, ou se ciclano não fosse tão covarde.
É inevitável não pensar, e até se abater pela tristeza que , vez ou outra, insiste em te puxar pelo pé de madrugada e te colocar no fundo do poço ( ''bad'' para os íntimos, rs ) que você pensou ter saído faz tempo.
Mas a vida não é lá muito injusta, porque se por um lado você sofre por não poder ficar com quem achou amar, por outro em um dia chuvoso e tranquilo, você vai receber uma ligação inesperada , um convite para jantar , de alguém que talvez mereça mais atenção do que ficar remoendo-se em situações bonitas que procrastinou - ou , até mesmo, já viveu .

Acredito que o ser humano é capaz de se adaptar à situações extremas, e se elas ainda não foram superadas é porque você ainda não lavou toda a fossa do peito, amigo! Então tratemos de fazê-lo, antes que todo esse lodo apodreça essa parte tão vital, que nos diferencia de todo o resto.
O romantismo exacerbado pode parecer utopia remota, mas enquanto houver um punhado de pessoas que o pregam com convicção, ainda existirá esperança para superações e recomeços.
Esses ciclos de relacionamentos não vividos duram a vida toda; sucumbir à melancolia enquanto você pode sorrir com algumas lembranças boas, que naquele momento era tudo que você podia permitir-se , é tolice. Se antigamente isso era algo digno e admirável, nesses nossos tempos modernos resume-se a simplesmente uma palavra: fraqueza.
Não seja um mártir de suas história de amor, seja pura e simplesmente o único protagonista.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

A gente nunca esquece...


... A primeira vez: o primeiro olhar, o primeiro beijo... são todos tão valiosos para uma relação e por isso mesmo tão citados. Um desses momentos - quase sempre esquecido - porém igualmente ou ainda mais valioso é o primeiro encontro de mãos.
Estar em contato com uma pele que antes nunca tenha tocado, sentir a textura do outro, sua diferente temperatura são essenciais para o amor.
Sejam mãos inseguras ou firmes, delicadas ou calejadas, pequenas, grandes, macias, ásperas, tímidas ou decididas. O primeiro ato de dar as mãos em um romance é a descoberta do outro. Dá uma sensação de que, de mãos dadas (com aquelas específicas mãos, insubstituíveis pro coração) é possível enfrentar tudo que vier.
É a partir desse conhecimento (e reconhecimento) das mãos do outro que nasce uma certeza ainda mais forte de que não se está só no mundo. Que se separem por algumas horas, dias ou meses... mas sabe-se que a extensão de si mesmo pode ser reencontrada e novamente conectada por elas. Tão frágeis, mas tão grandiosas - as nossas mãos dadas, confiadas, sejam por amor, ou paixão... ou não.


Thaís Carvalho