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sábado, 15 de janeiro de 2011

Dimytria III



O sol já desaparecera no horizonte. Todas as cores misturavam-se. O mesmo acontecia com seus sentimentos. Era tão difícil externá-los quando todas as portas do coração estavam fechadas. Queria que fosse simples assim como o laranja se misturava com o vermelho, azul e o branco no céu sobre sua cabeça. Sabia que nada era fácil.

A dor sufoca junto com as lágrimas que não foram derramadas.

Os olhos fecharam.



Foto: Fany

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Dimytria II


 Dimytria sentia sua garganta dolorida. Mas não era dos gritos que conseguia externar e sim daqueles internos que outrora prendera para não machucá-lo. Talvez a culpa dessa situação fosse sua pois, quando deveria falar, calou-se. Havia uma possibilidade do que poderia ter dito, tivesse mudado algo.

 Engolia a seco. Prendia suas lágrimas distanciando pensamentos sobre ele. Concentrava-se na sua respiração para não desabar prematuramente. Sabia que a partir de hoje sua vida seria diferente com ou sem ele.

 E quem vai entender o amor? Pode ser que nem exista. Pensava. Agora deitada em seu sofá, sua cabeça cuidadosamente encaixada na almofada. Lágrimas desciam lentamente de seus olhos. Era impossível evitá-las - percebeu.

 Adormeceu ...sem respostas

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Dimytria I


Pegou seu celular e começou a ler as mensagens. Parou em uma:

"Te Amo A Lot Of"

Será que era isso mesmo? Porque nada se encaixava no modo como Pedro se comportava agora. Já não era mais aquele cara que roubou o primeiro beijo e que a tomava pelos braços.

A única certeza que tinha era que o amava ainda mais... mesmo depois de dois anos e de tantas mudanças ocorridas. Desconfiava da sinceridade de todos os " TE AMO" ditos por ele

...

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Amanhecer



Sabe quando a gente perde a direção

Quando os amores já não são mais tão amáveis

E o que passou, desceu rasgando sem piedade

E você pensa, você jura

Nunca mais fazer o mesmo, nunca mais acreditar

E cada novo amor parece espelho do passado

Refletindo cada erro, repetindo cada cena

Sem pausar

E você quer seguir em frente

Reescrever a tua história

Outra vez, ainda mais

Mas te parece que os reflexos to passado

Viram fantasmas sempre prontos

Predispostos a tirar a sua paz

E cada um tem um palpite, uma receita milagrosa

Que te tire desse quarto escuro,

E te liberte dessa dor

Mas, de tudo que já ouvi

Nada mais duro e verdadeiro

Do que o que alguém

Essa semana me falou:

‘Ergue a cabeça, olha pra frente

Que o passado...

Esse... já passou.’

Tanta coisa aconteceu enquanto eu dormia

Mas agora abro a janela

E posso ver com clareza

Que já é dia.


Thaís Carvalho

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Escolha













Um poema antigo com um assunto atual...

Ter no peito uma dor que é a cura
Ou uma calma que parece com tormenta
Possuir o sentimento que o poeta mais procura
Ou a paz do desamor, daquele que não tenta.
Basear o dia-a-dia na esperança de um encontro
Que talvez nem aconteça, mas com o qual sempre se sonha
Ou simplesmente viver, sem nenhum confronto
Não ter dor de cabeça, nem ciúme, nem vergonha.

Estar atado a uma pessoa que nem sempre se envolve
Ou desfrutar a liberdade de um peito sem amor
Querer uma emoção que a tudo absolve
Ou preferir o desapego, seja a que preço for
Ficar contente com um simples cruzar de olhares
Ou viver cada dia à espera de aventura
Acreditar que existam realmente almas pares
Ou crer que é em vão toda essa procura.

Sofrer, amar, sentir, querer, atar
Estar alegre por ser mero sonhador
Ou não querer o abrigo de um olhar
Ou não querer o martírio de um amor
Qual será a escolha mais correta
Ter no peito tanto amor cheio de brio
Ou um coração vazio de poeta?
Ou um coração de poeta vazio?


Thaís Carvalho